quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Alcafozes protegida pelos Templários

 A independência de Portugal foi reconhecida pelo rei Afonso VII, de Leão, no Tratado de Zamora, em 1143. Só anos mais tarde, em 1179, o reino português foi confirmado no seu estatuto de estado independente pelo Papa Alexandre III. Por esta altura do aval papal já se iniciara a conquista de terras aos mouros para a configuração de Portugal. O objectivo principal de D.Afonso Heenriques era Lisboa e também Badajiz, náo só para estender o reino para Sul e alargar o mais possível o rectângulo em que se transformaria o país. A primeira tentativa de conquistar Lisboa falhou devido ao desentendimento dos cruzados. Posteriormente, após um longo cerco que durou de 1 de Julho até 25 de Outubro de 1147, Lisboa caiu, finalmente, nas mão de D. Afonso Henriques e com ela Sintra, Almada, Palmela e também Sesimbra. Se Lisboa foi um êxito, Badajoz constituiu um desastre. As milícias de Geral Sem Pavor foram cercadas na cidade, D. Afonso Henriques acorreu para ajudar o seu "general", mas partiu uma perna na saída da cidade e, segundo consta, num mais entrou em batalhas, a partir desse ano de 1169. 

A cidade da Guarda, como o próprio nome indica, foi-lhe atribuído como uma vigia da fronteira ba Reconquista cristá. Antes disso, por lá estiveram povos latinizados, como os romanos, que bebiam vinho e depois do germanos, que se deliciavam com cerveja de bolota. Além da religião eram estes os dois factores mais evidentes que os diferenciavam, Em 1166 a cidade de Cáceres, paredes-meias com a Beira Baixa foi conquistada por Geraldes Sem Pavor. Finalmente os portugueses passavam a Leste da Serra da Estrela, Covilhã, Fundão, Castelo Branco e, obviamente, Alcafozes fazia finalmente parte de Portugal. Um dos grandes conquistadores de terras aos Mouros, Gonçalo Mendes da Maia, morreu em conbate 3m 1177, na tomada de Beja, aos 91 anos. 
Gualdim Pais era agora o Mestre dos Templários em Portugal. O Castelo de Penha Garcia foi construído pela Ordem do Templo no início do século XIV, sobre um outro mais antigo. Local estratégico na defesa da fronteira leste de Portugal, faz parte da linha de defesa do médio Tejo. 
O castelo mantinha contacto visual com os castelos de Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Nova, Castelo Branco, Monsanto e Bemposta, todos da Ordem do Templo. Alcafozes, num lugar baixo e relatuvamente resguardado, comunicava com caminhos já degradados do tempo dos romanos para Idanha.a.Nova, Senhora do Almortão, Zebrreira, Idanha-a-Velha, Monsanto e Medelim. Era uma época relativamente tranquila, controlada pelos Templários e é praticamente certo que a sua população cresceu em relação à ocupação muçulmana. Até é muito possível que alguns cavaleiros nórdicos tenham por ali assentado arraiais nas abundantes terras de azeite e gado e por ali começacem a aparecer outras profissões como albardeiros, ferreiros   e curtidores de peles, entre outros. A aldeia de Alcafozes voltava a prosperar depois dos tempos aureos de Idanha-a-Velha, agora caída na desertificação. Em 1229 foi atribuído o foral a Idanha-a-Nova. 


Alcafozes, uma terra discreta abraçada por oliveiras

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Da Reconquista aos Templários

 Sem uma fortificação com efeitos estratégicos para Cristãos ou Mouros na epopeia da Reconquista,  o povoado de Alvafozes terá sido terra de passagem para os cavaleiros de D. Afonso Henriques, que conquiatram o castelo de
Monsanto em 1165 e também do célebre Grealdo Sem Pavor, um dos mais eficazes "generais" do primeiro rei de Portugal. A zona em redor de Alcafozes, cuja água dava de beber aos cavalos que necesstam de 30 litros diários do precioso líquido, viu-se, de repente quase deserta. Os habitantes de Idanha-a-Velha espalharam-se por vários pontos das Beiras, há uma versão de que seriam eles quem fundou ou desenvolveu Idanha-a-Nova com esta migração ficando pela Rua Velha e umas poucas casas mais alguns pastores árabes convertidos ao Cristianismo. 
Por esta altura, apesar de Portugal se entender para Sul não existiam fronteiras definidas. Os ataques e os contra-ataques de Mouros e Cristãos eram constantes e a extensão terrotorial que Portugal pretendia, após a conquista de Castelo Branco, extendeu-se a Badajoz, palco de um ataque devastador do rei e do Sem Pavor. A desertificação da Beira colocava em perigo a continuidade de Portugal para o seu actual formato e D. Afonso Henriques decidiu entregar essas terras beirás à Ordem dos Templários ao perceptos Gualdim Pais, um guerreiro que tinha feito parte de todas as campanhas com D.Afonso Henriques, Martim Moniz e Mem Ramires. Também combateu nas cruzadas da Terra Santa, em Jafa, Antioquia e Damasco. Foi ele quem mandou construir ou reconstruir os castelos de Tomar, Monsanto, Idanha-a-Nova e Pombal. 
Alcafozes, que estava a viver o ponto mais baixo da sua milenar existência, viu renascer a população, as actividades agrícolas e de pastoreio com a chega de novos colonos vindos de terras do Norte e que erm indispensáveis às fronteiras portuguesas.  Em 1229, D. Sancho II deu foral a Idanha-a-Nova, com a Idanha-a-Velha em acentuado declínio e o bispado da Egitânia transferido para a Guarda. Alcafozes sobrevivera às convulsões da transformação radical das Beiras e iniciou um período  de alguma prosperidade.
  


Gualdim Pais, o "rei e senhor" da Beira Baixa

domingo, 5 de janeiro de 2025

O ouro de Idanha-a-Velha

 O território de Idanha-a-Velha e Alcafozes só foi verdadeiramente estruturado quando os romanos se instalaram na zona. O seu principal interesse foi explorar o o ouro que era colhido nos leitos do Rio Pônsul, Rio Erges, Rio Ocreza, além da Ribeira de Alcafozes e outras de idêntica dimensão. Os governadores da então Lusitânia concentraram as suas atenções em Civitas Igaeditanorum (Idanha-a-Velha) por duas razões: a privilegiada posição geográfica, local de passagem entre Emerita Augusta (Mérida) e Bracara Augusta (Braga) e, justamente, a riqueza aurífera. As conheiras, amontoados de seixos retirados dos rios existentes no território são prova cabal do interesse dos romanos: sacar todo o ouro possível. Os romanos conseguiram exrair dos mais diversos curso de água da região cerca de 3500 quilos de minério aurífero. 


A invasão árabe na Beira Baixa

Uma parte desse ouro era enviado para Roma e o restante era fundido em barras, cunhado em moedas ou modelado em objectos e figuras. 
Alcafozes espraiava-se ainda acanhada entre a Fonte do Almo e a Rua Velha, com as cercas já referidas para impedir ou roubo de gado ou a entrada de animais selvagens, como lobos e ursos. A invasão dos Suevos, Alanos, Visigodos, tribos de origem germânica, considerados bárbaros pelos romanos, obrigou a levar ou a esconder apressadamente inúmeros tesouros, cujos prováveis locais deram origem às mais variadas lendas. 
A entrada dos árabes na terra cirundante de Idanha-a-Velha obrigou a mudar os tesouros para lugares mais seguros. Em Alcafozes falava-se muito do tesouro do Cabeço do Mouros, um local rodeado quase totalmente pelo Rio Pônsul, excepto a  Sul. Até meados do século passado circulavam por Alcafozes uma espécie de mapas rústicos sobre o local onde estaria esse tesouro. Muitos homens por lá andaram a escavar à revelia da GNR, mas, segundo os aldeões mais idosos da aldeia, a cavadelas esbarravam em duas grandes lajes que não deixavam progredir no tunem. No entanto, dizia-se que alguém conseguiu encontrar umas imagens em ouro e desapareceu da terra com a família. Oficialmente, contudo, os arqueólogos só por lá encontraram uma pedaço de espora e uma moeda da prata romana. Mas a lenda mantém-se...
Essas caças aos tesouros acentuaram-se com os conflitos frequentes entre os guerreiros das diversas tribos árabes para controlo das taifas, uma espécie de pequenos reinos ou nações com bamdeira própria. O rei Omar Mutavaquil reinou na Taifa de Badajoz desde 1072 até seu assassinado perto de Badajoz, em 1094. Filho de Maomé Almuzafar, foi o último monarca da dinastia aftácida. 
 
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sábado, 4 de janeiro de 2025

A Al Confossis moura

 A invasão muçulmana transformou a romana-visigoda Stagni Confossis ou Villae Confossis em Al Confossis, a designação árabe que chegaria ao nome da actual Alcafozes. Apesar da fuga de muitos habitantes da zona para norte e evitar, assim, os conquistadores vindos do Norte de África, aqueles que ficaram continuaram as suas actividades de pastorícia, azeite e vinho, mas o néctar dos deuses seria gradualmente abolido de Alcafozes (e não só) por a sua religião não permitir a ingerência de bebidas álcoolicas. Na turbulência da transição suevo-visigótica para para os mouros, a igreja de Idanha-a-Velha foi reconvertida em mesquita, embora os novos conquistadores permitissem o cristianismo e o judaísmo mas sem manifestações externas das suas opções religiosas

Esta invasão moura de Portugal ocorreu em 711, quando um exército muçulmano liderado por Tariq ibn Ziyad atravessou o Estreito de Gibraltar. Durante séculos, os Mouros governaram Portugal, deixando uma marca duradoura na paisagem do país. A sua presença durou mais de quatro séculos e revolucionou a agricultura portuguesa, bem como as realizações intelectuais e artísticas. Introduziram novas culturas como arroz, frutas cítricas, romãs e até cana-de-açúcar. Fixaram-se em diferentes regiões, nomeadamente Lisboa (a que chamavam "Lashbuna"), Santarém, Mértola e pouco a pouco todo o território que hoje forma Portugal.  Os mouros começaram como conquistadores, mas rapidamente se tornaram arquitectos, cientistas e músicos.

Quem observa a formação do território português costuma associá-la apenas ao Condado Portucalense e à figura de D. Afonso Henriques. No entanto, antes disso, existiu na Península Ibérica um mosaico de reinos muçulmanos, conhecidos por taifas, que floresceram após a fragmentação do Califado de Córdova. Entre eles, destacou-se o Reino ou Taifa de Badajoz, cuja autoridade chegou a estender-se por cerca de metade do que hoje corresponde a Portugal. A  sua capital era a cidade de Badajoz, fundada em 875 pelo rebelde Ibne Maruane, que a ergueu num local estratégico junto ao rio Guadiana.Formado por volta de 1009 ou 1013, o Reino de Badajoz surgiu numa época de instabilidade política e de dissolução do poder central islâmico. O primeiro governante foi Sabur, antigo escravo eslavo do califa Aláqueme II, que aproveitou a crise do Califado de Córdova para proclamar a independência.Quando Sabur morreu, em 1022, o seu vizir Abedalá ibne Alaftas assumiu o comando, fundando a dinastia Aftácida. Gradualmente, o reino consolidou-se e expandiu-se, integrando boa parte da antiga Lusitânia romana, incluindo Mérida e Lisboa, prolongando-se até às proximidades do Douro a norte e abrangendo extensas zonas do Alentejo e toda a Beira Baixa actual, incluindo, obviamente a aldeia de Alcafozes. 


Alcafozes e a Beira Baixa integrados na Taifa de Badajoz na ocupação moura


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Alcafozes no reino suevo e visigodo

 A Egitânia, durante as monarquias suevas e visigodas, cresceu em importância e em extensão territorial numa relação próxima com a cidade de Mérida. Nos achados arqueológicos ao longo de décadas de prospecção e investigação, foram descobertos em Idanha-a-Velha diversos vestígios de esculturas alto-medievais (entre os séculos IV e VIII) características da antiga Egitânia. Por essa altura, Alcafozes dobra a população e os rebamhos. Perante o perigo de roubo por salteadores ou ataques de lobos, a aldeia constrói uma cerca à sua volta, onde todos se recolhem à noite. Ainda existem dois pilares, restos de um dos portóes de entrada, no caminho para o cemitério, na zona mais antiga dos palheiros. Um dos limites da povoação de Alcafozes, nesses tempos, ficava no que é actualmente designada a Rua Velha. Terá sido por essa altura que a aldeia atingiu o apogeu da sua importância, condição derivada da expansão urbana e populacional de Idanha-a-Velha. 

A invasão dos Visigodos que afastou os Suevos das Beiras

Sob os domínios suevo e visigótico Idanha- -a-Velha, então Egitânia, é sede episcopal. Desses tempos os vestígios são raros, sendo os batistérios notáveis exceções. A igreja, anterior matriz e, mais tarde, cemitério, é hoje um edifício sucessivamente restaurado, com duras cicatrizes da passagem do tempo.Com a chegada dos povos bárbaros a cidade dos Igeditanos foi integrada no reino Suevo. O rei Requiário sendo cristão, impôs a sua religião, sendo criada a diocese da Egitânia, em meados do século VI. Em 569 já há referência à diocese no Concílio de Lugo. Em 585 com o fim do reino Suevo é integrada no reino Visigodo. O primeiro monarca da Hispânia Visigoda Unificada Leovigildo (569-586) usou o nome do imperador romano reinante — Justino II — e teve a ousadia de mandar inscrever o seu próprio nome em moedas áureas. Foi a primeira vez que apareceu inscrito o nome de um monarca visigodo numa moeda. Era o prenúncio da independência quer monetária quer política, em relação ao império romano.


Nas cerca de 25 casas de cunhagem de moeda visigóticas situadas em locais do nosso território actual, encontramos Monsanto da Beira (Monecipio) e Idanha-a-Velha (Egitânia), sendo esta última onde mais monarcas visigodos mandaram cunhar moeda. Conhecem-se moedas da Egitânia dos reis Recaredo, Gundemaro, Sisebuto, Suintila, Sisenando, Chintila, Tulgan, Chindasvinto, Ervígio, Égica, Égica e Vitiza, Vitiza e Roderico. A moeda chegava em maior quantidade a Alcafozes, despois de uns magros sestércios romanos. Foi na Egitânia que Rodrigo, último rei Visigodo, mandou cunhar moeda e da qual se conhecem apenas três exemplares. O Tremissis, também conhecido como Triente, foi a moeda de ouro visigoda em circulação na Península Ibérica. Para além do ouro, não é seguro que os visigodos tenham cunhado outro tipo de metal, nomeadamente cobre. O numerário de pequeno valor que circulava na Alta Idade Média talvez fosse, ainda, os pequenos bronzes tardo- -romanos. Os Visigodos dominaram praticamente toda a actual Península Ibérica até 711, ano em que o seu último rei, Rodrigo, foi derrotado pelo berbere Tarik. Alcafozes continuava a ser uma fonte produtiva de vinho, azeite e gado.
 


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Alcafozes nas estradas romanas

 A redes de estradas romanas dividia-se em Via Publicae, exclusiva para militares ou consulares que formavam a redes principal que interligava todo o Império Romano, correspondendo ao que se pode classificar nos nossos dias como estradas nacionais ou até vias rápidas. As Viae Vicinales tratavam-se de estradas secundárias que ligavam os povoados às vias principais. As Viae Privatae ou Agrari eram caminhos agrículas ou de acesso reservado. Neste redes de estradas romanas estava incluída Alcafozes numa das totas para Idanha-a-Velha. Essa estrada passava junto dos sítios romanos da Fonte da Bica, Granja dos Belgaios e Senhora do Almortão. Obviamente que nessa altura as designações desses lugares era diferente. Iniciava-se no Castro de São Martinho, cuja calçada dessa era ainda subsiste, e seguia para nordeste junto a Máercoles, onde há referências de um miliário, continuando para a ponte da ribeira com o mesmo nome, junto da qual ainda existe uma barragem romana.  

Marco miliário de Alcafozes com inscrições romanas e "escondido" em Idanha-a-Velha

O trajecto seguia pelo alto da Garalheira rumo ao vicus (aldeia) e seguir à Fonte da Bica, seguindo pelo alto das Ferrarias, onde exitia um lagar e uma mina. A  travessia do Rio Pônsul era na Ponte da Munheca. Alguns silhares almofadados, revestimento de pedra ou azulejo, na base de um dos pilares da ponte sugerem uma origem romana. Na Granja de Belgaios, na confluência da Ribeira do Povo com o Rio Pônsul, encontraram-se duas aras (altares) que estão no Museu de Castelo Branco e uma terceira que apareceu numa povoação , agora no museu de Idanha-a-Nova. Duas delas são dedicadas à deusa Oipaengia. Os vestígios estendiam-se ao Monte Velho e ao Monte da Antinha, passando a noroeste do Ladoeiro e ladeando Idanha-a-Nova pelo sul, encontrando o caminho de Nossa Senhora do Almortão. 
Neste local, antes da santa, adorava-se a divindade romana Igaedus, havendo esses vestígios num altar aqui encontrado. Do santuário a via romana seguia pelo Alto das Ciadas e dirigia-se para o Monte das Taipinha, aonde agora está erigida a Ermida de Nossa Senhora do Loreto. 
  

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

A pedra fenícia na Capela da Misericórdia

Antes de os romanos conquistarem definitivamente a Lusitânia, os fenícios e os cartagineses pastavam gado em Alcafozes e também era terra de passagem na transumância dos rebanhos para a Serra da Estrela. A terra era fértil em água devido à ribeira que, hoje em dia, está canalizada pelo meio da aldeia. Há 60 anos, lembro-me de ir do Cabeço ao Povo e passar, no final da Quelha (que significa espaço de todos ou espaço comum), Rua do Ribeirinho, por cima de umas pedras para não molhar os pés na água cristalina que corria ao ar livre. Essa abundância de água e pasto alimentavam um número elevado de animais, de tal modo que se recorreu à proibição de passar pelo povoado rico do precioso líquido, tendo colocado à entrada do casario uma pedra com a inscrição fenício-cartaginesa "sulunerhomo" gravada, que se pode traduzir como "caminho proibido pelo povo (homo)". Essa pedra encontra-se "escondida" na Capela da Misericória de Alcafozes e duvido que meia dúzia de pessoas da terra saibam da sua existência e do seu significado. 

Quando os romanos se instalaram finalmente na zona onde acabava a Egitânia (Civitas Igaeditanorum) já tinham passado por Staguis Confossis ou Villae Confossis, Alcafozes na denominação do consul de Roma por estas paragens. Aquela que antes passara apenas por um posto de vigia na estrada romana de Castelo Branco para Idanha-a-Velha, troço da via principal Mérida-Braga) com legionários instalados no Monte das Taipinhas, onde está instalado há duas centenas de anos a Capela de Nossa Senhora do Loreto, para comunicar com os postos de vigilância da actual Senhora do Almortão e Idanha-a-Velha. Existem marcos miliários (distância de mil passos percorrida por uma legião) que comprovam a existência dessa via, um dele no museu de Idanha-a-Nova, outro com referências ao imperador romano Augusto e ainda pelo menos mais um terceiro numa rua perto do adro da Igreja de São Sebastião, o patrono da aldeia, na esquina de um prédio na Rua Joaquim Franco. 
Staguis Confossis ou Villae Confossis significa e latim terra de lama ou vila de lama. O termo corresponde ao terreno alagado, tipo lameiro muito frequente em zonas mais a Norte, onde a erva cresce em abundância nas margens de um curso de água de pouca profundidade, como é o caso da Ribeira de Alcafozes. Villaer Confossis era o que se pode chamar um arrabalde de Civitas Igaeditanorum, um dos limites de Idanha-a-Velha. Os romanos logo aproveitaram a riqueza da abundância de gado, de azeite e vinho. As vinhas, no entanto, perderam-se mais tarde, ficando como memória o Monte das Vinhas, perto da fonte do Almo. Não é por acaso que no brasão de Alcafozes consta uma oliveira e não "pão e carvão", como transformaram, erradamente, o lema da terra. 

A pedra fenício-cartaginesa "escondida" na Capela da Misericórdia

O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...