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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

A CASA DA SAGRADA FAMÍLIA DA VIRGEM DE LORETO

 Antes de chegar a Alcafozes, a imagem de Nossa Senhora do Loreto passou por Lisboa. Há duas hipóteses de a aldeia da Beira Baixa  ver no seu território a santa que não foi santas, mas antes a Casa da Sagrada Família. Ou partiu da capital numa época em que havia muitos "italianos" (a Itália só se unificou no século IXX) ou entrou pela fronteira de Espanha, já que a aldeia de Alcafozes se encontra apenas a uns poucos quilómetros dos nossos vizinhos. É possível que um tal Capello, de origem "italiana" tenha sido o autor dessa veneração à Virgem da Casa Voadora, uma vez que há registos dessa família em Alcafozes desde o século XVII, onde desempenharam cargos de importância laica e religiosa. 
Por essa altura, o orago de Alcafozes era São Sebastião. Este santo era um soldado do exército romano por volta de 283 D.C. com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão. Designaram-no capitão da sua guarda pessoal, a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas, que se tornaram o símbolo da sua iconografia. . Foi dado como morto e atirado para um rio. Mas Sebastião não falecera.
Encontrado e socorrido por Irene, depois Santa Irene,
 apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. O seu corpo foi atirado para o esgoto público de Roma e e Luciana, mais tarde Santa Luciana, cujo dia é comemorado a 30 de Junho, resgatou o seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas. 

Alcafofozes do século XVII era também devoto ao Espírito Santo e a Santo António quando comeou, não se sabe como,a devoção a Nossa Senhora do Loreto. Antes disso, em Lisboa, A igreja, também chamada Igreja dos Italianos foi elevada por D. João V em 1518 para acolher os muitos italianos, principalmente venezianos e genoveses, comerciantes em Lisboa. A igreja depende directamente da Santa Sé e é sufragânea da arquibasílica de São João de Latrão. Voltando aos Capello e a Alcafozes, uma das referências mais substantivas é a de um tal Agostinho Capello, um juiz-desembargador no Rio de Janeiro, que esteve ligado à expulsão dos jesuítas do Brasil e quando regressou a Portugal integrou a Ordem de Cristo, tendo falecido em Alcafozes em 1767, sendo sepultado na igreja de São Sebastião. 
A Capela de Nossa Senhora do Loreto foi construída, segundo algumas fontes, em 1775, muito antes da família Capello se miscegenar com outras famílias poderosas da região, como os Franco Frazão, da Capinha, os Marrocos, de Idanha-a-Velha e os Manzarra, de Idanha-a-Nova. Por essa altura, no entanto, já se realizavam festas em honra de Nossa Senhora do Loreto, existindo duas datas espaçadas no tempo, para este evento, 1828 e 1888. É muito possível que ambas estejam certas, diferenciando-se apenas pelo modo como eram feitas e organizadas pelo povo. 
O culto por Nossa Senhora do Loreto foi evoluindo para patamares mais marianos e ao mesmo tempo mais profanos e festivos para o povo, deixando, a pouco e pouco, esmorecer as festas em honra do Espírito Santo e do Santo António. A Casa da Sagrada Família, representada pela Virgem de Loreto, expandiria a sua devoção e peregrinação, ao ponto de se sagrar como a data mais importante da aldeia de Alcafozes.


Pintura de Tosaco da Capela da Senhora do Loreto


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

O MISTÉRIO da SENHORA do LORETO

 As revoluções liberais, de 1820 a 1824, não afectou Alcafozes, em termos militares, que recuperava ainda dos saques e destruição das Invasões Napoleónicas. O povo, atarefado com estas tarefas de reproduzir o gado, fazer as sementes de trigo e outros cereais e colher a azeitona, além de reconstruir o que tinha sido maltratado pelos soldados franceses e seus aliados 
Numa data que terá sido ligeiramente anterior a 1775 surgiu, segundo algumas versão, uma imagem de uma santa no restolho do Cabeço das Taipinhas. A imagem foi, não se sabe como, denominada Nossa Senhora do Loreto e, após uma série de investigações, a capela poderia ter ser erguida mais ou menos em 1775. Ainda se aventou a hipóteses de a imagem da santa ter sido abandonada ou perdida durante as Invasões Francesas, mas o facto destas acontecerem entre 1807 e 1810,, o que desfaz temporalmente essa teoria. 
A Senhora do Loreto é um mistério dentro de um mistério, uma espécie de matrioska  de enigmas. O que apurei na Enciclopédia dos Visitante Católicos, de Itália, a virgem na prática nunca existiu. A Igreja Católica reserva a santidade a pessoas que passam pelo processo de beatificação ou, como sucede com Nossa Senhora de Fátima, a uma apariçáo. A Senhora do Loreto não se enquadra neste parâmetros, mas  a fé pela sua imagem, elaborada desconhece-se por quem, antes tem a sua origem numa casa. Não uma casa qualquer, obviamente, mas a casa onde o anjo anunciou a Maria que iria ser mãe de Jesus. Portanto, não havendo uma personagem ou uma aparição, existe um milagre que, esse sim, se pode considerar algo de transcendente. 

A história, segundo a Igreja Catõlica, baseia-se na Santa Casa da Localidade de Loreto, que "voou", transportada por anjos, desde a sua localização original, em Nazaré, actual Israel, primeiro para Tersatz, na Croácia de hoje, onde esteve três anos, e no dia 10 de Dezembro de 1294, a Santa Casa foi de novo levantada e levada por anjos para um bosque de loureiros, em Loreto, nas imediações de Recanati, em Itália. Estas deslocações devido à invasão da Terra Santa pelos muçulmanos, em 1291. O povo dessa aldeia começou a fazer peregrinações à Casa da Sagrada Família. Esse movimento esteve na origem da deslocação de quatro especialistas a Nazaré, ao local de onde tinha "voado" a modesta construção. Ali chegado fizeram a medição dos alicerces, os quais, sem explicação plausível, tinham exactamente as mesmas medidas da base da casa que aparecera em Tersatz, na Dalmácia, junto ao Adriático. Estes alicerces estão actualmente na Basílica da Anunciação, na cidade israelita de Nazaré, de onde "voou" para os dois referidos locais. 

Outros historiadores menos crentes afirmaram que a Casa da Sagrada Família foi transportada de barco pela família Ageli. De uma maneira ou outra, os arqueólogos confirmam que as pedras onde estava assente em Nazaré e comparadas com as pedras da consturução em Loreto são exatcamente iguais. Em 1310, o Papa Clemente V emitiu uma Bula Papal que concedia indulgência aos peregrinos. Na mesma altura, alguém esculpiu uma estátua com a Virgem e o Menino, que ficou negra devido ao fumo das velas, ficando, desde aí, conhecida como a Virgem Negra, A Casa da Sagrada Família inspirou a construção de três basílicas, uma em Nazaré e duas em Itália, a mais recente ordenada pelo Papa Sisto V e contém uma riqueza inestimável de obras de arte e arquitectura do Renascimento. Foi visitada por figuras eminentes, como Mozart, Descartes, Galileu, Cervantes e os santos Inácio de Loyola, Carlos Borromeu, Teresa de Lisieux, Frances Xavier Cabrini, Louis de Montfort, François de Sales e João Paulo II. 


A Casa da Sagrada Família transportada pelos anjos. 

 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

O PROGRESSO DE ALCAFOZES e o FUTURO SOMBRIO

 Após o terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e fez estragos de monta no Algarve, a região da Beira Baixa, como em praticamente todo o pais e outras cidades da Europa, náo foi muito afectada pela tragédia que mudou a relação do modo de viver com a natureza do povo com a religião. 
Alcafozes não seria, por isso mesmo, grandemente afectada pelo desastre sísmico, como, aliás, a zona do interior beirão. O documento mais importante  referente à aldeia é o inquérito que o Marquês de Pombal manda fazer a todas as paróquias do reino, ao qual, no caso de Alcafozes, o Vigário Vicente, da Ordem de Cristo, responde, em 1759, que Alcafozes possuía 115 fogos e 354 habitantes e que era termo da vila de Idanha-a-Velha, outrora cidade romana e visigótica. O vigário descreve a igreja como sendo a actual iggreja matriz e em que terão existido intervenções que demoraram anos até à sua configuração definitiva, entre 1796 e 1801 O seu orago é São Sebastião e pertencia ao bispado da Guarda, depois deste sair de Idanha-a-Velha. Por essa altura erguia-se a parte urbanística da urbanização do morro de São Marcos, embora coexistindo com palheiros, e a capela do Espírito Santo, datada de 1594, um ano depois da funcaçáo da Irmandade da Misericórdia de  Alcafozes. As primeiras festas mais ou menos oficiais dedicadas ao Espírito Santo datam de 1713. depois da Quaresma e da Páscoa.Os festejos na Capela de Santo António teriam surgidi antes, mas sem data definida, e a Nossa Senhora do Loreto inaugurou a sua capela em 1775 e o início dos festejos anuais, no final do Verão, em 1828. . Curiosamente, as capelas situavam- -se em locais estratégicos: a do Espírito Santo, na saída da aldeia para Idanha-a-Velha; a de Santo António, no sentido do Santuário de Nossa Senhora do Almortão e portanto de Idanha-a-Nova; e a do Loreto na direcção da Granja de São Pedro, que fora outrora local de peregrinação, 

A justiça, apesar do controlo dos latifundiários, rendeiros e capatazes era aplicada por um juiz de fora que residia três meses em Alcafozes, três meses em Idanha- -a-Nova e três meses em Proença-a-Velha. Surgem em documentos ofiiciais o nome de  Agostinho Felis dos Santos Capelo, juiz desembargador no Rio de Janeiro. Agostinho Capelo, cuja família era abastada e lhe permitiu tirar o curso de Direito em Coimbra, foi juiz em várias comarcas, nomeadamente no Porto e em Salvador, no Brasil. O Marquês de Pombal incumbiu-o, juntamente com outros, de fundar no Rio de Janeiro o primeiro Tribunal da Relação do Brasil. Agostinho Capelo esteve ligado à expulsão dos jesuítas do Brasil, assim como ao arresto dos seus bens; casou no Brasil, regressou a Portugal e integrou a Ordem de Cristo, tendo falecido em Alcafozes em 1767 e sido sepultado na igreja. Agostinho Capelo é apenas um exemplo desta família abastada com várias outras personagens Capelo que são formados em Direito ou têm cargos militares ou religiosos que se miscegenaram com outras famílias poderosas de Alcafozes e povoaçóes em redor, vindo alguns dos novos habitante da vizinha Espanha. 
Mas dias sombrios de aproximavam... 


Igreja Matriz de São Sebastião.
 



quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

GUERRA DOS SETE ANOS em ALCAFOZES 17 DE AGOSTO 1762

 A 17 de Agosto de 1672, a Beira Baixa encontrava-se a ferro e fogo devido à segunda tentativa dos espanhóis invadirem Portugal no decorrer da Guerra dos Sete Anos. Nesta data, o exército inimigo em retirarada depois de ocupar Castelo Branco, viu-se atacado na zona de Alcafozes, tanto pela tropa portuguesa, como pelos aldeões que se organizaram em pequenos grupos paa atacar em forma de guerrilha as formações do invasor. Travaram-se recontros sangrentos e sem piedade e os alcafozenses, como os nativos de outras aldeias da regiáo, queimavam os plantações e  searas para não satisfarem a fome de que sofria o inimigo. Nesta segunda invasão espanhola durante a Guerra dos Sete Anos, as urbes de Almeida, Castelo Bom e Castelo Branco foram perdidas pelos portugueses. 

Em resposta, formou-se um exército anglo-português, com cerca 14 a 15 000 homens, sob o comando do Conde de Lippe, que se posicionou para defender Lisboa nas colinas a nordeste de Abrantes, onde foram construídas várias obras de defesa. O exército aliado e camponeses da Beira Baixa puseram em prática uma muito eficaz táctica de terra queimada e foram levadas a cabo ações de guerrilha na retaguarda dos invasores, que viram a sua linha de comunicações com Espanha praticamente cortada.O conde de Lippe, apercebendo-se da situação desesperada do inimigo, completou-a com um movimento audacioso que decidiu a guerra: enviou uma força de soldados portugueses comandada por George Townshend deslocar-se num movimento de cerco em direção à retaguarda do diminuto e desmoralizado exército Espanhol. Este retirou logo para mais perto da fronteira, especialmente para a cidade de Castelo Branco. 

Os invasores foram assim derrotados e perseguidos até Espanha, sofrendo perdas terríveis, cerca de 25 000 homens, provocadas quer pelas tropas regulares quer pelos camponeses, fome, deserção e doenças. O quartel-general franco-espanhol em Castelo  Branco, cheio de feridos e doentes abandonados durante a fuga do exército espanhol, foi conquistado, bem como todas as praças anteriormente ocupadas pelos pelos apoiantes da casa real de Bourbon, com as únicas excepções de Chaves e Almeida. Alcafozes, como outras terras da zona, demoraram anos a recuperar da destruição desta campanha militar. 


A Guerra dos Sete Anos devastou a Europa e a América e passou por Alcafozes

domingo, 19 de janeiro de 2025

AS FESTAS DO ESPÍRITO SANTO PARA DESANUVIAR DO DIA-A-DIA

 Após um declínio de vários séculos, especialmente após a invasão muçulmana, Idanha-a-Velha foi integrada na freguesia de Alcafozes, irmandade que durou até ao ano de 1932, por iniciativa de António Pádua e Silva Leitão Marroco. Desde há muitos anos, séculos XVII e XVIII que as famílias Franco, Manzarra e Marrocos se instalaram na zona de Alcafozes, Idanha-a-Nova e Idanha-a-Velha e muitas outras terras limítrofes. Senhores de uma pseudo nobreza de privilégios os casamnetos entre os seus membros originou que preticamente a totalidade daquela vasta área ficasse sob o seu domínio. 
A invasão franco-espanhola desta zona da Beira na sequência da Guerra dos Sete Anos mobilizou uns quantos homens de Alcafozes para o Terço de Infantaria Auxiliar de Castelo Branco e o desenvolvimento que vinha conhecendo a aldeia estagnou durante uns tempos até a paz restabelecer de novo a actividades de artesões, camponenses e agricultores.  

Alcafozes na "concha" que acaba por ser o seu ex-líbris

A aristocracia daqueles vastos domínios da Beira Baixa viu entrar no seu seio uma filha de Alcafozes, D. Joana Lopes Leitão, em Alcafozes, no dia 24 de Abril de 1758, na recém-construída Igraja de São Sebastiao, com Manuel Fernandes Ferreira, natural de Medelim, que deram à luz um rapaz.
Por esta altura a relativa evolução de Alcafozes, desde que os seus limites deixaram de ser a Rua Velha e o Cruzeiro de 1631, ao lado da igreja de Sâo Sebastião desde a sua construção, baseava-se na agricultura controlada pelos rendeiros dos comendadores Marrocos, Manzarra e Franco, no azeite e os cereais, nomeadamente o trigo começara, a adquirir uma razoável dimensão, com os arados já mais eficazes pela perícia dos ferreiros. a feitura de cadeira, arcas e cantoneiras rústicas e as inevitáveis carroças para transportes de todo o tipo de carga, desde palha para aforrar até pedra para construção. Os cortejos fúnebres eram na sua maioria acompanhados pela Irmandade da Misericóridia, cuja existencia ascendia a uns anos antes da construção da capela, em 1594, no Monte de São Marcos. As festas mais populares da aldeia eram dedicadas ao Espírito Santo e há relatos que se realizaram com efectiva exuberancia desde 1713, com cerimónias religiosas e diversões mais profanas, como as largadas de touros ou vacas, cedidos pelos senhores da terra, e corridas à "vara larga". Por umas horas, um dia ou dois o povo esquecia as agruras do dia-a-dia. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

OS NOVOS "SENHORES" DE ALCAFOZES

 O país e, consequentemente, Alcafozes passaram por uma metamorfose social e política com a secularização da Ordem de Cristo pela bula do Papa Julio III. Os terrenos, até então às ordens religiosas passaram para a coroa portuguesa com o rei D. João III. Até então, a população prestava contas e ofertava alimentos e gado ao Mestre da Ordem à qual estavam ligados territorialmente. Depois desta reforma, a terra passou para a administração de comendadores que as alugavam a rendeiros, os quais rapidamente amealhavam consideravam proventos de monta.  
Com esta modificação estrutural o modo de vida dos aldeões transformou-se com os novos senhores mais exigentes na exploração das propriedades. O século XVI viu, assim, uma nova espécie de feudalismo de face caridosa, em que os donos e senhores das terras toleravam os habitantes sob sua jurisdição como mão-de-obra para sustentar as "casas senhoriais".

A caridade em Portugal no século XVI no panorama europeu demonstrava uma especificidade muito própria. A acção régia na normalização das instituições de caridade nos seus territórios fez evoluir os hospitais, independente da escalada das Misericórdias em termos numéricos e funcionais. Assim, a caridade de cariz  meramente pessoal e as misericórdias  fundem-se  a partir do Conselho de Trento, que se possibilita a convergência de dois processos evolutivos inicialmente autónomos.  Essa cultura retirava das obras de misericórdia o termo caridade e baseava-se na apologia da esmola entendida como uma forma de libertar a alma da sua prisão.

Grande parte da população medieva vivia no limiar da pobreza. Bastava um mau ano agrícola, a passagem de um grupo armado destruindo culturas, roubando gados, aprisionando homens, uma qualquer epidemia e logo engrossava o rol dos pobres e carenciados. A Idade Média foi, também, por toda a cristandade, uma época de intensa caridade, baseada e impulsionada pelos preceitos evangélicos. Movimento caritativo e assistencial, estimulado pelo ideal de caridade e pobreza, aliado à sentida necessidade de garantir a salvação e enfrentar o dia do Juízo. No território que hoje é Portugal, especialmente nas zonas de maior densidade demográfica, mosteiros, igrejas, grandes senhores e particulares, fundaram diversas instituições para albergar e cuidar de pobres, enfermos, crianças abandonadas, viajantes e peregrinos. O movimento caritativo e assistencial acompanhou os primeiros povoadores da Beira Interior. Enquanto arroteavam campos, construíam casas e igrejas, estes fundaram e organizaram algumas instituições de caridade e assistência de que os documentos nos dão um pálido eco.
Na região em redor de Alcafozes chegaram famílias que se assenhorearam de vastos terrenos. Os Capello, os Franco Frazão (oriundos da Capinha), os Marrocos (estabelecidos em Idanha-a-Velha) e os Manzarra (assentados em Idanha-a-Nova). A grande maioria das gentes de Idanha-a-Velha e de Alcafozes laboravam para os Marrocos, cujos marcos indentificadores das propriedades ainda se podem ver em alguns locais. A estas alterações da intervenção na vida da aldeia, não deixa de ser curioso que o período de mais desenvolvimento urbano de Alcafozes tenha coincidido com a união de Portugal e Espanha sob a mesma coroa de Filipe III, entre 1580 e 1640. 


Casa senhorial em Alcafozes


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

ALCAFOZES INCENDIADA EM 1644

 A coroa portuguesa e castelhana estiveram unidas desde 1580 até 1640. Durante esse período a paz e a tranquilidade reinaram na fronteira entre os dois estados. Formalmente a designação é esta porque não houve propriamente uma anexação mas sim dois reinos governados pelo mesmo monarca, Filipe II de Espanha, I de Portugal. Na região das Beiras e da Zarza la Mayor o clima de segurança foi abalado pela Restauração de Portugal, em 1 de Dezembro de 1640. A partir desta data, os dois países começaram a reforçar as suas fronteiras e iniciar-se-ia a Guerra da Restauração, que culminaria com o Tratado de Lisboa, assinado em 1668 pelos reis Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha. Durante este período houve guerra, saques e muitas mortes na região do que é hoje a Beira Baixa. O início dos conflitos começou com aquilo que se poderá considerar um exército privado, o da Companhia da Zarza la Mayor, financiado por gente de posses da Extremadura espanhola e grupos de assaltantes apoiado também pelas autoridades locais. O mais famoso, Pilante Celanes Castellano entrou pelo Rio Erges, passou os picos agrestes da Serra da Gata e saqueou Penha Garcia e arreadores. Apesar de haver uma instauração de fronteiras com práticas mais ou menos aduaneiras, contrabandistas de ambos os lados foram os desestabilizadores iniciais da linha divisória entre as duas nação, até que os exércitos se organizassem para se enfrentarem. Depois desses incidentes iniciais chegaram três companhias espanholas a Zarza la Mayor. Porém, rapidamente os seus soldados se tornaram saqueadores, não só para roubarem bens, mas também para levar animais para se alimentarem.

A tropa portuguesa, comandada pelo general Fernão Teles de Meneses chegou à zona fronteiriça para controlar uma situação dramática para os povos das aldeias. Também numa acção de surpresa, o comandante das nossas tropas, com um exército de 2550 homens de infantaria e 800 de cavalaria entrou na Zarza e fez 230 vítimas entre os espanhóis, que ainda viram explodir a torre da igreja onde guardavam a pólvora numa atalaia encostada a ela.
A vingança espanhola aconteceu na Beira (agora) Baixa pela força militarizada da Compañia de Montados de la Zarza, composta por 130 cavaleiros. As suas ordens eram claras e incisivas: matar, saquear e incendiar toda a zona portuguesa que pudessem. Era a vingança da derrota em Espanha.
A aldeia de Alcafozes foi incendiada, depois de se apoderarem dos haveres e dos rebanhos. A igreja de São Sebastião incendiada. O mesmo aconteceu nas povoações mais próximas. Zebreira, Penha Garcia, Monsanto, Penamacor, Idanha-a-Nova e Rosmaninhal, entre outras, tiveram o mesmo fim. Fogo e devastação. Os portugueses ripostaram e 700 soldados abateram 17 milícias da Zarza. Os confrontos sucediam-se diariamente.
Os habitantes da comarca de Castelo Branco enviaram uma missiva ao rei João IV, comunicando-lhe que já lhe havia sido roubados 60 mil ovelhas e cabras, 8 mil vacas, burros, mulas e cavalos, 800 pessoas tinham morrido de fome, além de homens e mulheres feitos prisioneiros. O povo reclamava por vingança.
Assim aconteceu, em 23 de Março de 1650, em Ventas del Caballo, uma companhia de soldados portugueses massacrou mais de uma centena de militares espanhóis, recebendo ordens para lhes cortar as orelhas.
A igreja de São Sebastião, em Alcafozes, depois dos danos sofridos, recomeçou os registos de nascimento, casamento, baptizados e óbitos, em 1694, pelo vigário Gregório. A aldeia, entretanto, foi praticamente reconstruída dos incêndios provocados pelas milícias de Zarza la Mayor. Até chegarem os franceses...

Bandos de salteadores da Companhia de La Zarza

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

CRUZEIRO - A FONTEIRA DE ALCAFOZES EM 1631

  A saída da maiorida dos habitantes da decadente Idanha-a-Velha e a sua migração para a nova Idanha nos altos rochedos perto do Ponsul deixaram Alcafozes isolada num buraco cavado pela natureza entre os vários cabeços que dominam a paisagem, onde sobressaem as oliveiras e umas azinheheiras e umas minúsculas seaaras que asseguram uma subsistència pobre a gente dedicada, como sempre, ao gado, nomeadamente aos numerosos rebanhos de ovelhas e cabras, mais uns quantos suínos que vagueavam em buca do seu alimento favorito, a bolota. A vida, como já referi, era rústica e pautada pelas ordens das natureza, as sementeiras, as colheitas, as horas de iniciar a jorna ou o tempo de cear. A maioria das casas, embora com alguns palheiros erigidos a seguir ao Monte de São Marcos, onde nasceria a Misericórdia em 1740, eram partilhadas por pessoas e animais. A chamada "loja" no rés-do-chão para os burros e outra bicharada doméstica e ao lado ou no andar de cima a zona familiar, reunidada normalmente em redor de uma lareira onde cozinhavam, tomavam a ceia da noite e trocavam umas palavras acerca da numerosa prole, dos animais e haveres e umas novidades sobre a ti Fulana ou o ti Beltrano. 

As riquezas dos Descobrimentos e a união forçada com a Espanha, desde 1580, trouxeram algumas melhorias ao "modus vivendi" dos aldeões, embora nada comparável aos progressos das cidades principais do litoral ou das mais importantes do interior do país. Uma maior desaceleração da pobreza medieval proporcionou o crescimento de Alcafozes, desde a Rua Velha até ao limite do povoado, que se situava prescisamnte no cruzeiro de 1631. 
Embora continue sem dados específicos sobre alguma igreja ou capela nos séculos XVI e XVII, assim como de uma taberna, como lugar de convívio, sabe.se que o Vigário Gregório ia de Idanha-a.Velha a Alcafozes tratar das almas, mas não se sabe propriamente onde. Aliás, o referido Vigário estava dependente da Igreja de Idanha-a-Velha, então já absorvida pelo bispado da Guarda. No entanto, na história oral dos mais velhos de Alcafozes, ouvi, muitas vezes, há mais de 50 anos, que as tradições de festas, romarias, procissões e "corridas de touros" se perdiam na memória dos tempos. Portanto, algo teve de existir na "terra" muito antes das datas oficiais estarem registadas nos compèndios oficisais, 
Desconhece-se se além da Ordem de Cristo e, posteriormente, com a seculorização das zona houve por ali senhores que imposessem um regime orpressivo aos nativos de Alcafozes, embora quer a Rodem de Cristo quer a Coroa cobrassem os seus impostos. 
Anos após o foral concedido por D. Manuel a Alcafozes, em 1510, instalaram-se na zona alguns marinheiros "reformados" sobreviventes das campanhas das Descobertas [uma grande percentagem das tripulações eram beirões por serem homens de rija cepa] e, fosse qual fosse a ordem, começaram a instalar-se na zona uma família de origem italiana, os Capello, a família Franco Frazáo na Capinha, a família Marrocos em Idanha-a-Velha e a família Manzarra em Idanha-a-Nova, além de outras fora de uma vasta zona de Alcafozes. E aí outros tempos vieram, talvez mais repressivos por um lado e mais lucrativos e menos miseráveis por outro. Veremos.
  


Cruzeiro, o limite da aldeia em 1631, aqui com o madeiro de Natal a arder

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O DIA A DIA MEDIEVAL SEM MISERICÓRDIA

Apesar de ter encontrado um documento oficial relativo a Idanha-a-Velha e Alcafozes datado de 1496, exsite um hiato de deois séculos entre a retoma de dados sobre a terra. Sendo o povoafo de mais ou menos 100 fogos e talvez 600 habitantes, não é crível que não tenha havido um único templo antes de 1740, quando foi erigida a Igreja de São Sebastião, o orago do povoamento, e a Capaela da Misericórdia. A História não o regista. Também a fundação da Misericórdia de Alcafozes não deixa de ser estranha pelo seu atraso em relação a outras de zonas próximas. Monsanto (1500), Proença-a-Velha (1500), Proença-a-Nova (1513), Castelo Branco (1514), Fundão (1516), Sertã (1530), Covilhã (1577), Ladoeiro (1581),  Vila de Rei (1581), Alpedrinha (1588), Álvaro (1597), São Vicente da Beira (1577), Oleiros (1578), Salvaterra do Extremo (1586), Sarzedas (1590), outras nos anos de 1600 e Alcafozes apenas em 1741. Já o cruzeiro nas imediações do adro da Igreja de São Sebastião foi plantada ali ainda antes, em 1631, época em que a coroa espanhola e portuguesas estavam unidas sob a coroa de Filipe III de Espanha. Não se entende que sendo o povo de então profundamente católico e veberando solenemente a Páscoa, mais do que o Natal, tenham surgido tão tarde as casas de Deus na aldeia. 
Uma das razões para este espaço espiritual parece à primeira vista em branco poderá ter a ver com uma segunda vaga virulenta de Peste Negra, por volta de 1500, que, mais uma vez se espanhou ela Europa, deixando um rasto de morte pelas cidades, vilas e aldeias, nomeadamente nos aglomerados mais numerosos e compactos. Em Paris, só para se ter uma ideia da tragédia, pereceram 60 mil almas. Mas Lisboa, e consequentemente Portugal, também viram uma percentagem de cerca de 1/4 da população atingida com elevado grau de mortalidade pela Peste Negra, Na capital portuguesa morreram 600 pessoas por dia e calcula-se que até ao seu final a espidemia deixou sem vida 60 mil pessoas. 
A Peste Negra terá feito as suas vítimas em Alcafozes, muitos sobreviventes terão ido para outros ares e daí este período de relativa estagnação no desenvolvimento da aldeia. No entanto, constinuo à procura de alguma casa santa que tivesse existido por esses anos em Alcafozes, a não ser que o povo rumasse em oração a Idanha-a.Velha, o que não é muito viável pela decadència da outrora grande cidade romana e visigótica, onde ainda se via imponente a catedral do Rei Wamba, o senhor da Beira Baixa. 

A alimentação em Alcafozes, na Idade Média, era pobre, aliás como em todo o país, excepto nos palácios nobres ou senhoriais, o que não era o caso desta terra. A média de vida era metdade da que hoje se verifica e aos 40 anos um homem era considerado velho. As exepções eram muito raras. As refeições eram rudimentares e perderam-se as receitas romanas requintadas, mesmo para a classe popular, obviamente sem banqueres de arromba. Pão, azeitonas, queijo, açordas ou migas, umas folhas de couve ba sopa, grão ou feijão com alguma gordura e umas lascas de queijo ou ovos da galinhas eram o "pão nosso de cada dia". O vinho não podia faltar aos homens e a miudagem contentava-se com uma malgas de leite de cabra com bocados de pão. Obviamente que nas casas da classe alta e nobre não faltava caça, corsos e faisões, mais o trivial, vaca, porco, carneiro, cabrito, galinhas patos, gansos, pombos, rolas e coelhos. Outras iguarias como as batatas, açúcar, especiarias, batatas e outras só chegariam após os Descobrimentos. Até lá, as bolotas alimentavam tanto os suinos como a populaçáo. 

Antes do raiar do sol inicivam-se os trabalhos agrícolas ou dos artesãos e também as lidas da casa. Pão e um raspa de queijo e um punhado de azeitonas e vinho para o almoço às 11horas, depois a merenda por volta das 16 horas e a ceia à noite, Sendo que a dormida não era contínua. Com a noite cerrada às 17 ou às 21 horas, consoante a estação do ano, o primeiro sono era dormido até por volta da meia-.noite, quando as mulheres faziam as limpezas do dia e os homens preparavam os seus parcos instrumentos de trabalho para a próxima jorna. Depois deitavam-se de novo e antes de raiar a aurora, ao cantar do galo estavam prontos para a sua rústica existência. E ainda havia que tratar dos animais. Um mata-bicho para um homem revilatizar para um dia de trabalho era um "shot" de aguardente que foi substituída nos dias de foje pela "bica", 
Os dias, os meses e os anos rolaavam nesta rotina em Alcafozes e em milhares de outras aldeias. Falta-me saber onde se reuniam os fiéis nos dias santos e as tabernas para as tardes dos dias santos...

Uma representação de uma procissão medieval 

sábado, 11 de janeiro de 2025

A PESTE da MORTE e a ÀGUA da VIDA

 O primeiro e o maior surto de peste negra ocorreu entre 1348 e 1350, mas outros surtos aconteceram ao longo de todo o século XIV. A peste foi uma doença que esteve presente na vida dos europeus até 1720, quando o último surto foi registrado em Marselha, na França, tivesse sido no Porto que a Europa sofreu a última crise endémica de peste negra em 1915. 
Alcafozes, no século XIV estava a recuperar da deserção de muitos habitantes para o Norte aquando da invasao muçulmana. Apesar de não ter sido atingida com a virulência idêntica à da cidade de Lisboa, em que metade da população pereceu, Alcafozes, na altura com pouco mais de 500 habitantes, assistiu à morte de muitos conterrâneos afectados pela terrível epidemia. 
Apesar de tudo, os bons ares vindos de Oeste, ou seja do longínquo mar atlântico e os seus variados recursos hídricos, como a própria Ribeira de Alcafozes, o Rio Ponsul a 6 kms, o Rio Aravil a 2 kms, a fonte do Almo, o poço da Bica, a Fonte Soite, a Fonte Ferrenha e a nascente das Taipinhas relativizaram a peste, embora a actividade intensa de pastorícia fosse intensa da região e a erva ou o pasto de restolho permitissem manter os anumais em condições de produzir carne, leite e lâ e os porcos andassen em varas à procura do seu alimento preferido, a bolota caída dos carvalhos, sobreiros e, ali, as numerosas azinheiras, embora as gentes também a aproveitassem para confesionar refeições porque a batata ainda não tinha chegado da América. 

À medida que o declínio de Idanha-a-Velha se acentuava e a maoria dos seus habitantes fundaram Idanha-a-Nova, que assim emergia de uma letargia pré-histórica e acabou por receber o foral do rei D. Sancho I, em 1206. Embora nunca tenha conhecido o declínio irreversível da Egitânia, Alcafozes, sendo uma aldeia muito mais antiga e praticamente um bairro de Idanha-a-Velha, deixou-se não concorreu com Idanha-a-Nova  pela primazia dominante na zona e continuou a evoluir, mas de uma forma muito menos expedita que a "filha" da Egitânea. Contribuiu também a decadência da Idanha mais velha a passagem do seu bispado para a cidade da Guarda, não se sabendo ao certo se existiu qalquer absorção egitaniense na cidade mais alta de Portugal. 

Para terminar este capítulo, uma referência à Fonte do Álamo, nome oficial do lugar e inscrito no local e a designação que eu e o povo fazemos de Fonte do Almo. Houve quem referisse que os dois termos significavam o mesmo, Não é assim. O álamo é uma árvore decícua que porte médio que pode atingir os 30 metros de altura. Já a palavra almo é proveniente do latim "almu", ou seja, "algo que alimenta". Portanto, nada melhor que observar a paisagem em redor e ver qual delas corresponde à fonte; se algum álamo de 30 metros de altura ou algo que alimenta...ou mata a sede. Aceitam-se opiniões...


Fonte Ferrenha de água férrea em Alcafozes

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Tratado de Alcanizes e Alcafozes portuguesa

 A Ordem do Templo foi fundada em 1118 ou 1119 e extinta em 1312. Na sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, centenas de cavaleiros Templários por toda a França foram presos simultaneamente por agentes de Filipe o Belo e sujeitos a tortura para confessarem a heresia da própria ordem religiosa, facto que provavelmente esteve na origem da superstição de as sextas-feiras dia 13 serem considerada dias de azar. Os Templários conjugavam o ideal do monge com o exercício da guerra. Após o seu reconhecimento no Concílio de Troyes, em 1128-9, os freires dedicaram-se à proteção dos peregrinos ao longo dos caminhos até aos lugares santos e tiveram um papel crucial na Reconquista Cristã.

A Reconquista Cristã ter-se-á iniciado em 1064, mas a entrada da ordem religioso-militar no Condado Portucalense é anterior. A milícia ter-se-á apresentado aquando a sua fundação, pela primavera de 1128, ano em que a Ordem foi estabelecida.Em Portugal, e no contexto da Reconquista, procurou-se restaurar as antigas dioceses dos reinos suevo e visigodo. Braga assume em 1071 um papel político e eclesiástico no Condado, evidenciado pela sua entrega ao arcebispo em 1112, por parte do Conde D. Henrique, que escolheu a catedral para sua sepultura. A diocese do Porto foi restaurada em 1112-13.

Gualdim Pais, o Mestre da Ordem, doou ao Templo  Idanha-a-Velha, Monsanto e provavelmente Segura, o que terá ocorrido em 1165 e ali edificaram os castelos. A documentação relativa à presença da milícia em Castelo Branco remonta àquele ano. Dois anos depois, Geraldo Sem Pavor conquistar Monsanto. Em 1169, D. Afonso Henriques doou a terça parte das terras que conseguissem conquistar a sul do rio Tejo, algumas com importância militar, a fim de se prosseguir com a Reconquista. Em 1169, o rei doou os castelos de Cardiga e do Zêzere e suas propriedades.O Mestre Gualdim Pais  restaurou os castelos de Almourol e Cardiga (1171) e realizou obra nas fortalezas de Monsanto e Idanha, através das quais acautelou a defesa do vale do Tejo. Esta linha de defesa assumiu um papel determinante no século XII face aos almóadas, aquando o cerco de seis dias ao castelo de Tomar pelos almóadas, em 1190. 

No reinado seguinte, D. Sancho I confirmou a doação a Idanha-a-Velha em 1197 por constituir uma área difícil de manter, mas Mogadouro e Penas Róias voltaram à coroa. Em 1198, os Templários receberam Nisa-a-Velha e no ano seguinte, Ródão. No entanto, o Alentejo não estava destinado ao Templo, mas sim a outras ordens religioso-militares. Em 1203, é doada Idanha-a-Nova e em 1206, Dornes. A construção da Torre de Dornes terá sido encomendada por Gualdim Pais na segunda metade do século XII. Castelo Novo é mencionado em testamento do seu alcaide em 1208 como sendo possessão da Ordem à data. Por D. Afonso II, os Templários receberam a terra de Cardosa, em Castelo Branco. Em 1215, é doado o Castelo de Coruche, assim como vinha e casas em Évora. Em 1218, Alcácer do Sal foi conquistado e o foral concedido a Proença-a-Velha, ambos pela Ordem. Nos anos seguintes foram sendo atribuídas as cartas a Vila de Touro, Ega, Idanha-a-Velha, mas em 1244, D. Sancho II volta a doar ao Templo os direitos de Idanha e de Salvaterra do Extremo, junto à fronteira. O castelo de Rosmaninhal terá sido construído depois de 1237, após o povoamento da vila pelos Templários. 
O tratado de Alcanzes, assinado em 1297, pelo rei D. Dinis, definiu as fronteiras entre as Beiras e a Extremadura castelhana, as quais ainda hoje se mantêm, sendo consideradas as mais antigas da Europa. Alcafizes é definitivamente portuguesa. 


Gualdim Pais e os Templários, os primeiros donos da Alcafozes portuguesa


O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...