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domingo, 26 de janeiro de 2025

ALCAFOZES SAQUEADA por FRANCESES E ALIADOS

 A primeira vez que Alcafozes se via envolvida na Guerra Peninsular foi durante a I Invasão Francesa, em Outubro de 1807, quando o exército de Junot, composto por gauleses, espanhóis, alemães das legiões de Hannover, Baviera e Prússia, polacos da Legião do Vístula, italianos de Nápoles, suíços e irlandeses, entrou pela fronteira de Segura, seguiu por Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Nova e Castelo Branco. Como era comum nessa época, um exército não marchava numa coluna única. À frente seguiam os batedores, depois o corpo principal de infantaria, a artilharia e, por fim, a intendência. Isto enquanto a Cavalaria protegia os flancos e dedicava-se à pilhagem.

Exaustos e famintos pela longa caminhada através dos mais de 650 quilómetros de uma áspera e rude Meseta Ibérica, os soldados pilharam as colheitas e o gado de toda a Beira Baixa e Alcafozes não escapou ao saque dos grupos de tropa vindos pelas Termas de Monfortinho. A aldeia ficou sem gado, sem pão, sem carne da matança do porco e quem resistiu foi abatido, muitas mulheres violadas e a Igreja de São Sebastiáo profanada, santos quebrados, livros de registos de óbitos, casamentos e baptizados queimados e as preciosas peças de arte sacra roubadas.
O bispo de Castelo Branco, D. Vicente Ferrer da Rocha, acedeu, obedecendo a ordens do rei exilado no Brasil, a oferecer alimentos a Junot e aos seus oficiais, além de fornecer cabeças de gado, pão vinho e tudo o que foi pedido. Mas, ao mesmo tempo, já os franceses roubavam conventos, igrejas e casas particulares. Os primeiros actos de revolta não tardaram a manifestar-se. No dia 20 de Novembro em Idanha-a-Nova, o exército deixou muitos doentes no Hospital. O povo, logo que a coluna principal inimiga deixou a vila, atacou o hospital, trazendo um grande número de franceses para a rua e lançou-os do alto da serra sobre o rio Pônsul. Há relatos de ataques aos soldados mais atrasados das colunas, ataques sem piedade conduzidos por guerrilheiros emboscados nos montes e nos matos. Aliás, segundo historiadores franceses, as guerrilhas formaram-se mais cedo em Portugal do que as "guerrillas" em Espanha
A chegada de novos soldados implicava sempre a recolha de mais alimentos, para homens e cavalos, roupas e calçado para as tropas, para além dos animais confiscados. Os homens fugidos atacavam os soldados que se atrasavam ou se perdiam das colunas. Toda a Beira Baixa viveu o inferno durante os meses das I e III Invasões Francesas e Alcafozes também não escapou aos roubos. O Fundão foi saqueado durante meses, a população de Alpedrinha quase toda massacrada. O juiz e o padre do Fundão formaram uma milícia e reagiram com ataques furtivos aos grupos de soldados isolados.
Quando o general inglês Beresford reorganizou o exército nacional, após este ter sido desmantelado por Junot e dez mil homens terem formado a Legião Portuguesa do Marquês de Alorna e apenas 100 deles sobreviverem à campanha da Rússia, veio buscar voluntários região de Castelo Branco. Na inversa, muitos desertores ou soldados franceses doentes acolheram-se em Portugal. Aqueles que não foram mortos pelas inúmeras milícias populares assentaram e fizeram família em múltiplas povoações portuguesas, mas também muitos prisioneiros portugueses foram obrigados a trabalhos forçados em França ou a secar pântanos na Holanda.

As invasões francesas saqueram Alcafozes e trouxeram a morte e a fome

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  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...