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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

AS CAGANITAS das CABRAS e os CAGALHÕES em FAMÍLIA

À primeira vista as caganitas das cabras e os cagalhões das pessoas nada têm em comum. Contudo, com um bocadinho de jeito a merda é a mesma. Nos mesees de Novembro, Dezembro, Janeiro e, por vezes, até Fevereiro procedia-se à apanha da azeitona, uma prática milenar que pouco ou nada mudou com o rolar dos séculos, a náo sera substituição de homens e mulheres por máquinas infernais que desbastam uma oliveira num abrir e fechar de olhos, decepam ramos e esmagam ninhos de aves, a sua casa e o seu abrigo. Os ranchos de homens e mulheres da aldeia pertencem à história e, por isso, convém recordá-la. Aí pelos anos 50 do século passado ainda se juntavam mais ou menos de três grupos de 20 ou trinta almas cada um, com a particularidade de a paridade de sexo ser aí bastante rigorosa, com homens e mulheres em igualdade numérica, uns casados, outros solteiros e mais uma minoria assim-assim. 

Era um trabalho árduo e madrugador. Ainda a luminosidade do dia vinha longe, aí por volta das 5 da madrugada, já os galos cantavam. Por essa hora, o "comandante" do grupo acendia o lume, comia uma espécie de pequeno almoço de feijões e calcorreava as ruas escuras como breu, sem iluminação artificial, soprando um búzio (de onde viria tal "instrumento"?) para acordar os compoonentes do rancho, que partiam para o olival ainda noite cerrada. No campo, a hora era de encher sacas que dessem 15 escudos por dias ou um nota (100 escudos) por semana. Trabalhava-se por equipas que se vigiavam umas às outras para nenhuma delas asquirir uma vantagem de peso significativa. O Inverno inclemente, temperado de frio, cchuva e neve não reduzia o labor. As sacas protegiam da chuvam desde que não despejassem cântaros de água do céu. Havia que aguentar a  apanha de milhares de quilos de azeitonas por dias e levar para casa uma mísera meias dúzia de quilos do fruto das oliveiras. O frio, esse, gelava as mãos e o tacto dos dedos desaparecia, inca+az de destrinçar uma azeitona de uma caganita de cabra e, tufa!, para dentro do saco. Secos ou molhados, eram assim passados os meses da apanha da azeitona transportadas em carros de bois para a casa senhorial a quem pertencia o olivais, um fonte de receita anual que dava ânimo para as culturas que se seguiam, 

As noites em Alcafozes eram escuras como breu, a não ser que houvesse luar. Dentro das casas, as candeias ou os candeeiros a petróleo davam uma luz precária que agitavam sombras gigantescas. No Verão, nomeadamente em Setembro quando o calendário escolar era diferente,  que ia de férias até à aldeia tinha de se sujeitar às condições básicas existentes. As casas de banho eram uma recordação que tinha ficado na cidade e cadaum desencarrasca-se como podia para fazer as suas necessidades. Não era raro encontrar à beira dos caminhos uns tarolos intestinais já pretrificados, muito raramente com um pedaço de papel simples ou de jornal já amarelado por perto. Num dos locais mais altos  de Alcafozes, o Cabeço, existia uma pedreira que distava uns 300 metros das casas, perto de um cancelão que era porta de  entrada ou de saída de uma tapada. Acabado o jantar, lavada a loiça, antes das conversas perto das soleiras das portas sentados em cadeiras de vime ou tropeços de cortiça, havia sempre quem tivesse de ir despejar a tripa, O WC, obviamente que era a pedreira. Quatro, cinco, seis, sete pessoas, dependia das vontades orgânicas, caminhavam pela negritudeda noite para expelir os tais cagalhões comunais. Como ninguém se via, baixavam-se as calças e as saias e lá vai disto, enquanto se conversava sobre o dia-a-dia, os preparativos do dia seguinte ou, claro, a vida dos outros. Às apalpadelas, lá se encontrava um "renova" de pedra, sempre com o cuidado de não ser mordido por um lacrau e passar a noite a ganir, Cabras e pessoas, no final tudo vai dar so mesmo... 

O início trabalhoso antes de chegar à mesa. 


O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...