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sábado, 1 de fevereiro de 2025

A "SENHORA DO AR" RECONHECIDA COMO PADROEIRA

 A 24 de Março de 1920, na festa do Arcanjo S. Gabriel – o mensageiro de Nazaré -, o Papa Bento XV, acedendo ao desejo do Clero, declarou a Santíssima Virgem do Loreto, Padroeira Universal da Aviação. Em 12 de Setembro desse mesmo ano, os aviadores reuniram-se em massa na Basílica de Loreto e fizeram, oficialmente, a consagração da sua Padroeira. No ano seguinte, a imagem foi destruída por um incêndio e, em 1922, o Papa Pio XII benzeu a nova imagem da Virgem do Loreto, não muito diferente da anterior. Em Portugal, os contactos com gentes de Itália realizavam-se desde a fundação da nacionalidade, inclusive o primeiro Rei de Portugal, D.Afonso Henriques, casou com D. Mafalda de Sabóia, e, ao longo dos séculos, as relações foram constantes. No século XV, mercê da decadência do comércio entre as repúblicas italianas e o Oriente, devido à presença muçulmana na Palestina, começam a surgir na Península Ibérica, nomeadamente em Portugal, comunidades de italianos, não só navegadores e especialistas na arte de marear, mas também comerciantes e outros. D. Dinis contratou o genovês Emanuele Pessagno para almirante em 1317, as famílias Perestrelo e Spínola de origem genovesa, assim como Cristóvão Colombo, e todos se estabeleceram em Portugal. Lisboa enche-se de ricos comerciantes e a comunidade dos italianos teve permissão real para construir, em 1518, o primeiro templo de invocação a Nossa Senhora do Loreto, templo esse totalmente reconstruído no século e, novamente, depois do Terramoto de 1755, tendo resistido as paredes-mestras e a sacristia. O culto foi-se espalhando por algumas povoações. 

Com o advento da aviação após a Primeira Guerra Mundial, e por acção do Clero e de aviadores sensibilizados com o milagre da «Casa Voadora», a 25 de Março de 1920, na festa do Arcanjo São Gabriel, o Papa Bento XV proclamou «A Santíssima Virgem do Loreto, Padroeira Universal da Aviação». A 12 de Setembro desse mesmo ano, os aviadores reuniram-se em missa na ano seguinte, a imagem foi destruída por um incêndio e, em 1922, o Papa Pio XII benzeu a nova imagem da Virgem do Loreto, não muito diferente da anterior, e ela foi acompanhada por aviadores no percurso entre a Capela Sistina e a Basílica de Loreto, onde chegou a 8 de Setembro. Foi no dia 14 de Agosto de 1926 que se iniciou oficialmente o culto a Nossa Senhora do Ar, como pradoreira da aviação em Portugal, com uma celebração eucarística na Capela da Granja do Marquês, onde a imagem foi colocada no trono do altar principal. 

A 19 de Dezembro de 1959, o Governo de Salazar, com especial recomendação de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa e Ordinário Castrense, determinou que todas as capelas da Força Aérea de Portugal são dedicadas a Nossa Senhora, onde é venerada uma sua imagem que representa a sua gloriosa assunção. Os aviadores  chamam-lhe ‘Nossa Senhora do Ar e uma delegação desloca-se à Santa-Sé a rogar a graça da declaração de “Nossa Senhora do Ar” como Padroeira Nacional da Força Aérea Portuguesa.Quando a aviação comercial começa a despontar, a Força Aérea está a evoluir e há um grupo de alcafozenses – do qual se destacou, pelo seu dinamismo, o Sr. Joaquim Marques – que depois de muitas démarches consegue não só obter terreno em volta da capela, para ser realizada uma procissão campal com o apoio do p.ároco António Costa, como, e mais importante, que a cerimónia religiosa campal fosse sobrevoada por aviões da Força Aérea. Importa destacar o papel do então comandante da Base Aérea de Alverca, coronel Mira Delgado e o do tenente-coronel Kaulza de Arriaga, subsecretário de Estado da Aeronáutica que, em 1959, inaugurou os melhoramentos do altar-mor juntamente com o general Carlos Costa Macedo. Autoriza-se que em 1957 a procissão seja sobrevoada por diversos aviões da Força Aérea. 



sábado, 11 de janeiro de 2025

A PESTE da MORTE e a ÀGUA da VIDA

 O primeiro e o maior surto de peste negra ocorreu entre 1348 e 1350, mas outros surtos aconteceram ao longo de todo o século XIV. A peste foi uma doença que esteve presente na vida dos europeus até 1720, quando o último surto foi registrado em Marselha, na França, tivesse sido no Porto que a Europa sofreu a última crise endémica de peste negra em 1915. 
Alcafozes, no século XIV estava a recuperar da deserção de muitos habitantes para o Norte aquando da invasao muçulmana. Apesar de não ter sido atingida com a virulência idêntica à da cidade de Lisboa, em que metade da população pereceu, Alcafozes, na altura com pouco mais de 500 habitantes, assistiu à morte de muitos conterrâneos afectados pela terrível epidemia. 
Apesar de tudo, os bons ares vindos de Oeste, ou seja do longínquo mar atlântico e os seus variados recursos hídricos, como a própria Ribeira de Alcafozes, o Rio Ponsul a 6 kms, o Rio Aravil a 2 kms, a fonte do Almo, o poço da Bica, a Fonte Soite, a Fonte Ferrenha e a nascente das Taipinhas relativizaram a peste, embora a actividade intensa de pastorícia fosse intensa da região e a erva ou o pasto de restolho permitissem manter os anumais em condições de produzir carne, leite e lâ e os porcos andassen em varas à procura do seu alimento preferido, a bolota caída dos carvalhos, sobreiros e, ali, as numerosas azinheiras, embora as gentes também a aproveitassem para confesionar refeições porque a batata ainda não tinha chegado da América. 

À medida que o declínio de Idanha-a-Velha se acentuava e a maoria dos seus habitantes fundaram Idanha-a-Nova, que assim emergia de uma letargia pré-histórica e acabou por receber o foral do rei D. Sancho I, em 1206. Embora nunca tenha conhecido o declínio irreversível da Egitânia, Alcafozes, sendo uma aldeia muito mais antiga e praticamente um bairro de Idanha-a-Velha, deixou-se não concorreu com Idanha-a-Nova  pela primazia dominante na zona e continuou a evoluir, mas de uma forma muito menos expedita que a "filha" da Egitânea. Contribuiu também a decadência da Idanha mais velha a passagem do seu bispado para a cidade da Guarda, não se sabendo ao certo se existiu qalquer absorção egitaniense na cidade mais alta de Portugal. 

Para terminar este capítulo, uma referência à Fonte do Álamo, nome oficial do lugar e inscrito no local e a designação que eu e o povo fazemos de Fonte do Almo. Houve quem referisse que os dois termos significavam o mesmo, Não é assim. O álamo é uma árvore decícua que porte médio que pode atingir os 30 metros de altura. Já a palavra almo é proveniente do latim "almu", ou seja, "algo que alimenta". Portanto, nada melhor que observar a paisagem em redor e ver qual delas corresponde à fonte; se algum álamo de 30 metros de altura ou algo que alimenta...ou mata a sede. Aceitam-se opiniões...


Fonte Ferrenha de água férrea em Alcafozes

O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...