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sábado, 28 de dezembro de 2024

Povos primitivos ibéricos homogéneos

Os povos ibéricos desenvolveram uma cultura considerada hoje bastante sofisticada na costa mediterrânea da Península Ibérica do século VI A.C. até sua conquista pelos romanos no século II A.C. Na altura as populações maioritariamente tribais falavam e escreviam uma língua não indo-europeia, a qual ainda não foi claramente descodificada. As suas origens desses "idiomas" e as relações com outros povos não indo-europeus, como os etruscos, não são claras, uma vez que suas práticas funerárias eram baseadas na cremação de corpos e, portanto, a antropologia não conseguiu abordar o estudo desse povo. A recuperação do DNA mitocondrial (mtDNA) de alguns dos escassos restos esqueléticos que foram preservados, alguns deles pertencentes a indivíduos executados ritualisticamente, forneceram algumas provas das suas características. Os critérios de autenticação mais rigorosos propostos para DNA antigo, como replicação independente, análise de aminoácidos, quantificação de moléculas molde, múltiplas extrações e clonagem de produtos de PCR, foram seguidos para obter sequências confiáveis ​​da região hipervariável 1 do mtDNA (HVR1), bem como alguns SNPs de diagnóstico de haplogrupo. Análises filogeográficas mostram que a composição do haplogrupo dos antigos ibéricos era muito semelhante à encontrada nas populações modernas da Península Ibérica, sugerindo uma continuidade genética de longo prazo desde os tempos pré-romanos. No entanto, há menos diversidade genética nos antigos ibéricos do que é encontrada entre as populações modernas, um fato que pode refletir o pequeno tamanho populacional na origem da população amostrada e a estrutura tribal heterogênea da sociedade ibérica. Além disso, os ibéricos não eram especialmente relacionados aos etruscos, o que aponta para uma considerável heterogeneidade genética na Europa Ocidental pré-romana. povo português tem sua origem nos celtiberos, um povo que habitava as regiões próximas aos rios Tejo e Douro, principalmente nas porções mais montanhosas. Pelos registros históricos, estas zonas eram habitadas pelos celtiberos, há pelo menos, 2600 anos (desde o século VI a.C.)


A zona da actual Alcafozes esteve durante séculos sob influência celta



 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

A pré-história

 Cerca de 35 000 a.C., durante o Paleolítico Superior, a cultura neandertal Châtelperroniana vinda do sul de França estendeu-se ao norte da Península Ibérica. Esta cultura perdurou até 28 000 a.C., quando o homem do neandertal se extinguiu, sendo o seu último refúgio o território do atual Portugal. São apenas cinco mil anos de História, mas vem mudar o conhecimento que hoje temos sobre a ocupação do homem moderno no território que, agora, se chama Portugal. Ao escavarem na Lapa do Picareiro em Minde, nos arredores de Alcanena, os arqueólogos descobriram vestígios que o Homo sapiens ocupava a região há 41 a 38 mil anos. Ou seja, uns milhares de anos antes do que se pensava. E numa época em que este território era igualmente habitado por clãs de Homo neanderthalensis – uma espécie humana ancestral e entretanto extinta.

A coexistência das duas espécies humanas no mesmo espaço físico e no mesmo período temporal vem abrir a possibilidade de contatos entre ambas. Algo que já se sabia ter acontecido noutras geografias, mas não neste extremo da Europa. E uma vez que os modernos europeus têm elementos do código genético dos neandertais entre os seus genes sabe-se que terão existido trocas físicas – e eventualmente culturais – entre ambos os grupos. O resultado desta investigação foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, tendo sido realizado por uma equipa internacional, onde participaram arqueólogos da Universidade do Algarve e da Universidade Autónoma de Lisboa.

A Anta da Granja de São Pedro, a 9 kms de Alcafozes, ou os Três Dómens, na propriedade da Anta, a 13 kms, demonstram a realidade da presença humana na zona, inicialmenre com caçadores recoletores numa região rica em caça, sobretudo ursos, corsas, javalis, touros, entre outras espécies e, posteriormente o sedentarismo em forma de simples acampamentos familiares que evoluiram para comunidades. Em Alcafozes propriamente dita, nunca se explorou arqueologicamente a zona, mas a sua principal riqueza, a água da ribeira que se estende até perto da Senhora da Graça, atraía animais e, consequentemente, humanos para a caça. É pena que nunca se tenha estudado e explorado a zona em redor da aldeia actual, pois poderiam surgir algumas surpresas. Não é crível que Alcafozes, no interior de um quadrado formado pela Zebreira, Rosmaninhal, Medelim e Idanha-a-Nova, todos estas povoações com vestígios de presença humana pré-histórica, fosse um deserto por onde ninguém passasse. Veremos 

A Anta Grande de Medelim 


O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...