Cerca de 35 000 a.C., durante o Paleolítico Superior, a cultura neandertal Châtelperroniana vinda do sul de França estendeu-se ao norte da Península Ibérica. Esta cultura perdurou até 28 000 a.C., quando o homem do neandertal se extinguiu, sendo o seu último refúgio o território do atual Portugal. São apenas cinco mil anos de História, mas vem mudar o conhecimento que hoje temos sobre a ocupação do homem moderno no território que, agora, se chama Portugal. Ao escavarem na Lapa do Picareiro em Minde, nos arredores de Alcanena, os arqueólogos descobriram vestígios que o Homo sapiens ocupava a região há 41 a 38 mil anos. Ou seja, uns milhares de anos antes do que se pensava. E numa época em que este território era igualmente habitado por clãs de Homo neanderthalensis – uma espécie humana ancestral e entretanto extinta.
A coexistência das duas espécies humanas no mesmo espaço físico e no mesmo período temporal vem abrir a possibilidade de contatos entre ambas. Algo que já se sabia ter acontecido noutras geografias, mas não neste extremo da Europa. E uma vez que os modernos europeus têm elementos do código genético dos neandertais entre os seus genes sabe-se que terão existido trocas físicas – e eventualmente culturais – entre ambos os grupos. O resultado desta investigação foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, tendo sido realizado por uma equipa internacional, onde participaram arqueólogos da Universidade do Algarve e da Universidade Autónoma de Lisboa.
A Anta da Granja de São Pedro, a 9 kms de Alcafozes, ou os Três Dómens, na propriedade da Anta, a 13 kms, demonstram a realidade da presença humana na zona, inicialmenre com caçadores recoletores numa região rica em caça, sobretudo ursos, corsas, javalis, touros, entre outras espécies e, posteriormente o sedentarismo em forma de simples acampamentos familiares que evoluiram para comunidades. Em Alcafozes propriamente dita, nunca se explorou arqueologicamente a zona, mas a sua principal riqueza, a água da ribeira que se estende até perto da Senhora da Graça, atraía animais e, consequentemente, humanos para a caça. É pena que nunca se tenha estudado e explorado a zona em redor da aldeia actual, pois poderiam surgir algumas surpresas. Não é crível que Alcafozes, no interior de um quadrado formado pela Zebreira, Rosmaninhal, Medelim e Idanha-a-Nova, todos estas povoações com vestígios de presença humana pré-histórica, fosse um deserto por onde ninguém passasse. Veremos

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