Após um declínio de vários séculos, especialmente após a invasão muçulmana, Idanha-a-Velha foi integrada na freguesia de Alcafozes, irmandade que durou até ao ano de 1932, por iniciativa de António Pádua e Silva Leitão Marroco. Desde há muitos anos, séculos XVII e XVIII que as famílias Franco, Manzarra e Marrocos se instalaram na zona de Alcafozes, Idanha-a-Nova e Idanha-a-Velha e muitas outras terras limítrofes. Senhores de uma pseudo nobreza de privilégios os casamnetos entre os seus membros originou que preticamente a totalidade daquela vasta área ficasse sob o seu domínio.
A invasão franco-espanhola desta zona da Beira na sequência da Guerra dos Sete Anos mobilizou uns quantos homens de Alcafozes para o Terço de Infantaria Auxiliar de Castelo Branco e o desenvolvimento que vinha conhecendo a aldeia estagnou durante uns tempos até a paz restabelecer de novo a actividades de artesões, camponenses e agricultores.
Alcafozes na "concha" que acaba por ser o seu ex-líbris
A aristocracia daqueles vastos domínios da Beira Baixa viu entrar no seu seio uma filha de Alcafozes, D. Joana Lopes Leitão, em Alcafozes, no dia 24 de Abril de 1758, na recém-construída Igraja de São Sebastiao, com Manuel Fernandes Ferreira, natural de Medelim, que deram à luz um rapaz.Por esta altura a relativa evolução de Alcafozes, desde que os seus limites deixaram de ser a Rua Velha e o Cruzeiro de 1631, ao lado da igreja de Sâo Sebastião desde a sua construção, baseava-se na agricultura controlada pelos rendeiros dos comendadores Marrocos, Manzarra e Franco, no azeite e os cereais, nomeadamente o trigo começara, a adquirir uma razoável dimensão, com os arados já mais eficazes pela perícia dos ferreiros. a feitura de cadeira, arcas e cantoneiras rústicas e as inevitáveis carroças para transportes de todo o tipo de carga, desde palha para aforrar até pedra para construção. Os cortejos fúnebres eram na sua maioria acompanhados pela Irmandade da Misericóridia, cuja existencia ascendia a uns anos antes da construção da capela, em 1594, no Monte de São Marcos. As festas mais populares da aldeia eram dedicadas ao Espírito Santo e há relatos que se realizaram com efectiva exuberancia desde 1713, com cerimónias religiosas e diversões mais profanas, como as largadas de touros ou vacas, cedidos pelos senhores da terra, e corridas à "vara larga". Por umas horas, um dia ou dois o povo esquecia as agruras do dia-a-dia.
