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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

OS NOVOS "SENHORES" DE ALCAFOZES

 O país e, consequentemente, Alcafozes passaram por uma metamorfose social e política com a secularização da Ordem de Cristo pela bula do Papa Julio III. Os terrenos, até então às ordens religiosas passaram para a coroa portuguesa com o rei D. João III. Até então, a população prestava contas e ofertava alimentos e gado ao Mestre da Ordem à qual estavam ligados territorialmente. Depois desta reforma, a terra passou para a administração de comendadores que as alugavam a rendeiros, os quais rapidamente amealhavam consideravam proventos de monta.  
Com esta modificação estrutural o modo de vida dos aldeões transformou-se com os novos senhores mais exigentes na exploração das propriedades. O século XVI viu, assim, uma nova espécie de feudalismo de face caridosa, em que os donos e senhores das terras toleravam os habitantes sob sua jurisdição como mão-de-obra para sustentar as "casas senhoriais".

A caridade em Portugal no século XVI no panorama europeu demonstrava uma especificidade muito própria. A acção régia na normalização das instituições de caridade nos seus territórios fez evoluir os hospitais, independente da escalada das Misericórdias em termos numéricos e funcionais. Assim, a caridade de cariz  meramente pessoal e as misericórdias  fundem-se  a partir do Conselho de Trento, que se possibilita a convergência de dois processos evolutivos inicialmente autónomos.  Essa cultura retirava das obras de misericórdia o termo caridade e baseava-se na apologia da esmola entendida como uma forma de libertar a alma da sua prisão.

Grande parte da população medieva vivia no limiar da pobreza. Bastava um mau ano agrícola, a passagem de um grupo armado destruindo culturas, roubando gados, aprisionando homens, uma qualquer epidemia e logo engrossava o rol dos pobres e carenciados. A Idade Média foi, também, por toda a cristandade, uma época de intensa caridade, baseada e impulsionada pelos preceitos evangélicos. Movimento caritativo e assistencial, estimulado pelo ideal de caridade e pobreza, aliado à sentida necessidade de garantir a salvação e enfrentar o dia do Juízo. No território que hoje é Portugal, especialmente nas zonas de maior densidade demográfica, mosteiros, igrejas, grandes senhores e particulares, fundaram diversas instituições para albergar e cuidar de pobres, enfermos, crianças abandonadas, viajantes e peregrinos. O movimento caritativo e assistencial acompanhou os primeiros povoadores da Beira Interior. Enquanto arroteavam campos, construíam casas e igrejas, estes fundaram e organizaram algumas instituições de caridade e assistência de que os documentos nos dão um pálido eco.
Na região em redor de Alcafozes chegaram famílias que se assenhorearam de vastos terrenos. Os Capello, os Franco Frazão (oriundos da Capinha), os Marrocos (estabelecidos em Idanha-a-Velha) e os Manzarra (assentados em Idanha-a-Nova). A grande maioria das gentes de Idanha-a-Velha e de Alcafozes laboravam para os Marrocos, cujos marcos indentificadores das propriedades ainda se podem ver em alguns locais. A estas alterações da intervenção na vida da aldeia, não deixa de ser curioso que o período de mais desenvolvimento urbano de Alcafozes tenha coincidido com a união de Portugal e Espanha sob a mesma coroa de Filipe III, entre 1580 e 1640. 


Casa senhorial em Alcafozes


O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...