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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

ALCAFOZES INCENDIADA EM 1644

 A coroa portuguesa e castelhana estiveram unidas desde 1580 até 1640. Durante esse período a paz e a tranquilidade reinaram na fronteira entre os dois estados. Formalmente a designação é esta porque não houve propriamente uma anexação mas sim dois reinos governados pelo mesmo monarca, Filipe II de Espanha, I de Portugal. Na região das Beiras e da Zarza la Mayor o clima de segurança foi abalado pela Restauração de Portugal, em 1 de Dezembro de 1640. A partir desta data, os dois países começaram a reforçar as suas fronteiras e iniciar-se-ia a Guerra da Restauração, que culminaria com o Tratado de Lisboa, assinado em 1668 pelos reis Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha. Durante este período houve guerra, saques e muitas mortes na região do que é hoje a Beira Baixa. O início dos conflitos começou com aquilo que se poderá considerar um exército privado, o da Companhia da Zarza la Mayor, financiado por gente de posses da Extremadura espanhola e grupos de assaltantes apoiado também pelas autoridades locais. O mais famoso, Pilante Celanes Castellano entrou pelo Rio Erges, passou os picos agrestes da Serra da Gata e saqueou Penha Garcia e arreadores. Apesar de haver uma instauração de fronteiras com práticas mais ou menos aduaneiras, contrabandistas de ambos os lados foram os desestabilizadores iniciais da linha divisória entre as duas nação, até que os exércitos se organizassem para se enfrentarem. Depois desses incidentes iniciais chegaram três companhias espanholas a Zarza la Mayor. Porém, rapidamente os seus soldados se tornaram saqueadores, não só para roubarem bens, mas também para levar animais para se alimentarem.

A tropa portuguesa, comandada pelo general Fernão Teles de Meneses chegou à zona fronteiriça para controlar uma situação dramática para os povos das aldeias. Também numa acção de surpresa, o comandante das nossas tropas, com um exército de 2550 homens de infantaria e 800 de cavalaria entrou na Zarza e fez 230 vítimas entre os espanhóis, que ainda viram explodir a torre da igreja onde guardavam a pólvora numa atalaia encostada a ela.
A vingança espanhola aconteceu na Beira (agora) Baixa pela força militarizada da Compañia de Montados de la Zarza, composta por 130 cavaleiros. As suas ordens eram claras e incisivas: matar, saquear e incendiar toda a zona portuguesa que pudessem. Era a vingança da derrota em Espanha.
A aldeia de Alcafozes foi incendiada, depois de se apoderarem dos haveres e dos rebanhos. A igreja de São Sebastião incendiada. O mesmo aconteceu nas povoações mais próximas. Zebreira, Penha Garcia, Monsanto, Penamacor, Idanha-a-Nova e Rosmaninhal, entre outras, tiveram o mesmo fim. Fogo e devastação. Os portugueses ripostaram e 700 soldados abateram 17 milícias da Zarza. Os confrontos sucediam-se diariamente.
Os habitantes da comarca de Castelo Branco enviaram uma missiva ao rei João IV, comunicando-lhe que já lhe havia sido roubados 60 mil ovelhas e cabras, 8 mil vacas, burros, mulas e cavalos, 800 pessoas tinham morrido de fome, além de homens e mulheres feitos prisioneiros. O povo reclamava por vingança.
Assim aconteceu, em 23 de Março de 1650, em Ventas del Caballo, uma companhia de soldados portugueses massacrou mais de uma centena de militares espanhóis, recebendo ordens para lhes cortar as orelhas.
A igreja de São Sebastião, em Alcafozes, depois dos danos sofridos, recomeçou os registos de nascimento, casamento, baptizados e óbitos, em 1694, pelo vigário Gregório. A aldeia, entretanto, foi praticamente reconstruída dos incêndios provocados pelas milícias de Zarza la Mayor. Até chegarem os franceses...

Bandos de salteadores da Companhia de La Zarza

O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...