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domingo, 12 de janeiro de 2025

O cobrador de sisas de Idanha-a-velha e Alcafozes

O primeiro documento que encontrei sobre Alcafozes destrói pela base a versão oficial de que a aldeia foi fundada por muçulmanos, após 711. Existe, datado de 19 de Maio de 1496 uma ordem para João Miguel, morador em Alcafozes, termo da vila de Idanha-a-Velha, nomeado escrivão do efeito da sisas
da cidade de Idanha-a-Velha e seu termo (Alcafozes) tal como ele até aqui foi por odem de D. Joáo II. 
Alcafozes foi sempre, desde a ocupação romana um termo (limite) de Idanha-a-Velha e a designação de Stanis Confossis ou Al Confossis (nem todas as palavras iniciadas por Al, seja por artigo ou por ortografia provenientes da língua árabe. Idanha-a-Velha e Alcafozes estiveram sempre ligadas por um cordão umbilical, como urbanização central e bairro dos arrabaldes, de vastos pastos vitalizados pela Ribeira de Alcafozes. As gaiolas mouriscas poderia ser apenas uma designaçao árabc do Confossis do tempo romanos. Portanto, em 1496, cnfirma-se que Alcafozes fazia parte de Idanha-a-Velha, numa época em que os habitantes das região ascendiam a muitos milhares de indivíduos. 

Em Alcafozes questão da datação exacta dos tempos ainda não é uma verdade absoluta. Alcafozes. É muito possível que no século XV, com a inclusao de famílias de outro estrato social tenham, muito provavelmente  provavelmente contribuído para um um mais locais de culto que entretanto foram sunstituídos por outros ou, numa segunda hipóteses menos considerada, a deslocação ao templo de uma Idanha-a-Velha em decadência ou ao santuári que existia na Granja de São Pedro, dedicaca a S.Francisco e entretanto destruída, possivelmente por umas das muitas inavões estrangeiras que por ali se deslocavam a caminho dos seus conflitos guerreiros  ou à Ermida de Nossa Senhora da Granja, da não muito distante Proença-a.Velha.
Alcafozes  estava inserida em território pertencente à Ordem de Cristo, que teve como administrador o rei D. Manuel I. A ordem foi secularizada em 1510 e, em 1551, pela bula de Júlio III, e no tempo de D. João III, os bens passaram para a Coroa. Foram criadas novas comendas, em que muitas vezes os comendadores arrendavam as propriedades e, nesse sentido, foi sendo frequente a existência de rendeiros, que eram grandes proprietários. Uma dessas famílias poderá ter sido a família Capello, cuja existência em Alcafozes é assinalada em lugares de relevo público

A obra das Misericórdias nasceu em 1498, no ano em que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia. Mas até essa data as instituições de beneficência eram rudimentares e encontravam-se dispersas e sem estatuto. Desde a fundação da nação portuguesa, inspiradas pelo espírito de caridade cristã, foram sendo criadas ordens religiosas e militares pelos reis, municípios, bispos, confrarias e particulares. Estas induziam os homens de todas as classes sociais a socorrerem os pobres e necessitados na ausência de qualquer sistema de segurança social organizado.É neste contexto histórico que o cruzamento de duas figuras dará origem à futura rede de Misericórdias: Frei Miguel Contreiras e a rainha D. Leonor.

Frei Miguel Contreiras era um admirável pregador e amparo dos mais desfavorecidos. Pelo que se dizia, percorria as ruas de Lisboa com um anão que recolhera para sua protecção e um jumento no qual carregava as esmolas, para "acordar a caridade" e acudir os pobres e indefesos. A sua fama chegou aos ouvidos da rainha D. Leonor, que o nomeou seu confessor e mestre espiritual. Em 1484, D. Leonor fundou o Hospital das Caldas, dedicado aos pobres, na igreja onde instituiu uma confraria de caridade, sendo este um prenúncio da Misericórdia. Em conjunto com Frei Miguel Contreiras, desenvolveu uma série de obras significativas de ajuda aos necessitados.

A vida rude na Idade Média


Foi então em finais do século XV que, um grupo de "bons e fiéis cristãos", como reza a História, liderados por Frei Miguel Contreiras, na presença da rainha D. Leonor e das mais altas personalidades religiosas e civis, assumiu o compromisso de se dedicar à prática das 14 Obras de Misericórdia quanto fosse possível. 
Gozando D. Leonor de grande prestígio junto da corte e do rei, é neste momento que surge a Irmandade da N.ª Sr.ª da Misericórdia de Lisboa com a aprovação do rei D, Manuel, a génese de todas as que lhe seguiram até aos nossos dias. O monarca tomou-a sob a sua protecção em 1498.Em Castelo Branco a Misericordia  foi fundada em 1510 e, pela ordem natural das distâncias das época, talvez em Alcafozes tenha surgido 5 ou 10 anos depois, apoiada com uma nova classe social que entretanto chegava à aldeia devido à seecularização das terras antes da Ordem de Cristo. 





 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

ALCAFOZES NA ORDEM DE CRISTO

 Alcafozes estava inserida em território pertencente à Ordem de Cristo, depois de a Ordem dos Templários ter sido extinta e os seus componentes  serem salvos da morte, prisão e tortura ordenada pelo Papa Clemente V, em 22 de Março de 1312, graças à subtileza e engenho do rei D. Manuel. A nova Ordem daí resutante foi tutelada pelo rei D. Manuel e secularizada em 1510 e, em 1551, pela bula de Júlio III. No tempo de D. João III, os bens passaram para a Coroa. Deste modo foram criadas novas comendas, em que muitas vezes os comendadores arrendavam as propriedades e, nesse sentido, foi sendo cada vez mais frequente frequente a existência de rendeiros, os grandes proprietários da terra. 
Mas. voltando atrás no tempo mais ou menos três séculos, a par com a edificação de castelos e fortificações, os Mestres Templários concedem às populações cartas de foral com o objetivo de firmar os direitos e deveres dos seus habitantes. Neste sentido, foi possível identificar perto de uma dezena e meia de forais que os mestres da milícia Templária concederam às comunidades fixadas nas suas terras. Pão, vinho e linho eram, no entanto, obrigações das populações a conceder aos cavaleiros do templo. 

Eem novembro de 1165, D. Afonso Henriques doou a D. Gualdim Pais a terra de Idanha-a-Velha e de Monsanto, com a condição de esta milícia não só servir o monarca, mas também ser uma forma de reforçar presença de população junto à fronteira. Em outubro de 1213, D. Pedro Álvares de Alvito, Mestre da Ordem do Templo, concede foral a Castelo Branco com a intenção também ali também se fixar população.  Uns anos antes, em janeiro de 1206, os freires Templários tinham recebido de D. Sancho I a vizinha terra de Idanha-a-Nova e o monarca conformaria ainda a doação de Idanha-a-Velha, feita por seu pai D. Afonso Henriques.  A infuência Templária na raia beirã consolidava-se. O mestre Templário tinha residência em Castelo Branco, tendo sido celebrados aí vários capítulos da Ordem. O texto do foral de Castelo Branco enumera obrigações, direitos e penas dos seus habitantes dos vários grupos sociais, acrescentando que os clérigos têm os mesmos direitos dos cavaleiros. Refere-se a cristãos, judeus e mouros em igualdade de circunstâncias, numa situação de fiadores, sem fazer qualquer menção a inimigos. ou oponente. 

Em abril de 1218, o mesmo D. Pedro Álvares de Alvito, Mestre da Ordem do Templo, juntamente com o convento, doam foral à localidade de Proença-a-Velha, geograficamente muito próxima das Idanhas. Aliás, e como se lê no texto do foral, os costumes dados a Proença são os mesmos do foral de Idanha-a-Nova e mesmo o de Castelo Branco: a intenção de fixar população.. Aos clérigos são dados importantes privilégios e liberdades e são estabelecidos os direitos e deveres dos moradores. Tanto mouros como cristãos estavam obrigados ao pagamento de portagens e passagens, o que pressupõe uma igualdade de tratamento a ambos. Há ainda outras referências a mouros no texto do documento, mas enquanto moradores do concelho, sugerindo uma convivência pacífica entre povos. Depois  No ano seguinte, o mesmo monarca doara a D. Pedro de Alvito, Mestre Templário, as vilas de Idanha-a-Nova e Idanhaa-Velha, confirmando carta de doação de D. Sancho I à Ordem do Templo da vila de Idanha-a-Nova, que por sua vez confirmava doação à Ordem da vila de Idanha-a-Velha.
Por essa altura, Alcafozes era pouco mais que a actual Rua Dr. António Lopes e uns palheiros à saida da terra, onde uma cerca e portões asseguravam que nem bandos de saqueadores ou animais selvagens, nomeadamente matilhas de lobos ou ursos roubavam ou dizimavam o gado. 


Casas e palheiros limítrofes de Alcafozes na Idade Média

O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...