As revoluções liberais, de 1820 a 1824, não afectou Alcafozes, em termos militares, que recuperava ainda dos saques e destruição das Invasões Napoleónicas. O povo, atarefado com estas tarefas de reproduzir o gado, fazer as sementes de trigo e outros cereais e colher a azeitona, além de reconstruir o que tinha sido maltratado pelos soldados franceses e seus aliados
Numa data que terá sido ligeiramente anterior a 1775 surgiu, segundo algumas versão, uma imagem de uma santa no restolho do Cabeço das Taipinhas. A imagem foi, não se sabe como, denominada Nossa Senhora do Loreto e, após uma série de investigações, a capela poderia ter ser erguida mais ou menos em 1775. Ainda se aventou a hipóteses de a imagem da santa ter sido abandonada ou perdida durante as Invasões Francesas, mas o facto destas acontecerem entre 1807 e 1810,, o que desfaz temporalmente essa teoria.
A Senhora do Loreto é um mistério dentro de um mistério, uma espécie de matrioska de enigmas. O que apurei na Enciclopédia dos Visitante Católicos, de Itália, a virgem na prática nunca existiu. A Igreja Católica reserva a santidade a pessoas que passam pelo processo de beatificação ou, como sucede com Nossa Senhora de Fátima, a uma apariçáo. A Senhora do Loreto não se enquadra neste parâmetros, mas a fé pela sua imagem, elaborada desconhece-se por quem, antes tem a sua origem numa casa. Não uma casa qualquer, obviamente, mas a casa onde o anjo anunciou a Maria que iria ser mãe de Jesus. Portanto, não havendo uma personagem ou uma aparição, existe um milagre que, esse sim, se pode considerar algo de transcendente.
A história, segundo a Igreja Catõlica, baseia-se na Santa Casa da Localidade de Loreto, que "voou", transportada por anjos, desde a sua localização original, em Nazaré, actual Israel, primeiro para Tersatz, na Croácia de hoje, onde esteve três anos, e no dia 10 de Dezembro de 1294, a Santa Casa foi de novo levantada e levada por anjos para um bosque de loureiros, em Loreto, nas imediações de Recanati, em Itália. Estas deslocações devido à invasão da Terra Santa pelos muçulmanos, em 1291. O povo dessa aldeia começou a fazer peregrinações à Casa da Sagrada Família. Esse movimento esteve na origem da deslocação de quatro especialistas a Nazaré, ao local de onde tinha "voado" a modesta construção. Ali chegado fizeram a medição dos alicerces, os quais, sem explicação plausível, tinham exactamente as mesmas medidas da base da casa que aparecera em Tersatz, na Dalmácia, junto ao Adriático. Estes alicerces estão actualmente na Basílica da Anunciação, na cidade israelita de Nazaré, de onde "voou" para os dois referidos locais.
Outros historiadores menos crentes afirmaram que a Casa da Sagrada Família foi transportada de barco pela família Ageli. De uma maneira ou outra, os arqueólogos confirmam que as pedras onde estava assente em Nazaré e comparadas com as pedras da consturução em Loreto são exatcamente iguais. Em 1310, o Papa Clemente V emitiu uma Bula Papal que concedia indulgência aos peregrinos. Na mesma altura, alguém esculpiu uma estátua com a Virgem e o Menino, que ficou negra devido ao fumo das velas, ficando, desde aí, conhecida como a Virgem Negra, A Casa da Sagrada Família inspirou a construção de três basílicas, uma em Nazaré e duas em Itália, a mais recente ordenada pelo Papa Sisto V e contém uma riqueza inestimável de obras de arte e arquitectura do Renascimento. Foi visitada por figuras eminentes, como Mozart, Descartes, Galileu, Cervantes e os santos Inácio de Loyola, Carlos Borromeu, Teresa de Lisieux, Frances Xavier Cabrini, Louis de Montfort, François de Sales e João Paulo II.
A Casa da Sagrada Família transportada pelos anjos.

Sem comentários:
Enviar um comentário