sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Alcafozes no reino suevo e visigodo

 A Egitânia, durante as monarquias suevas e visigodas, cresceu em importância e em extensão territorial numa relação próxima com a cidade de Mérida. Nos achados arqueológicos ao longo de décadas de prospecção e investigação, foram descobertos em Idanha-a-Velha diversos vestígios de esculturas alto-medievais (entre os séculos IV e VIII) características da antiga Egitânia. Por essa altura, Alcafozes dobra a população e os rebamhos. Perante o perigo de roubo por salteadores ou ataques de lobos, a aldeia constrói uma cerca à sua volta, onde todos se recolhem à noite. Ainda existem dois pilares, restos de um dos portóes de entrada, no caminho para o cemitério, na zona mais antiga dos palheiros. Um dos limites da povoação de Alcafozes, nesses tempos, ficava no que é actualmente designada a Rua Velha. Terá sido por essa altura que a aldeia atingiu o apogeu da sua importância, condição derivada da expansão urbana e populacional de Idanha-a-Velha. 

A invasão dos Visigodos que afastou os Suevos das Beiras

Sob os domínios suevo e visigótico Idanha- -a-Velha, então Egitânia, é sede episcopal. Desses tempos os vestígios são raros, sendo os batistérios notáveis exceções. A igreja, anterior matriz e, mais tarde, cemitério, é hoje um edifício sucessivamente restaurado, com duras cicatrizes da passagem do tempo.Com a chegada dos povos bárbaros a cidade dos Igeditanos foi integrada no reino Suevo. O rei Requiário sendo cristão, impôs a sua religião, sendo criada a diocese da Egitânia, em meados do século VI. Em 569 já há referência à diocese no Concílio de Lugo. Em 585 com o fim do reino Suevo é integrada no reino Visigodo. O primeiro monarca da Hispânia Visigoda Unificada Leovigildo (569-586) usou o nome do imperador romano reinante — Justino II — e teve a ousadia de mandar inscrever o seu próprio nome em moedas áureas. Foi a primeira vez que apareceu inscrito o nome de um monarca visigodo numa moeda. Era o prenúncio da independência quer monetária quer política, em relação ao império romano.


Nas cerca de 25 casas de cunhagem de moeda visigóticas situadas em locais do nosso território actual, encontramos Monsanto da Beira (Monecipio) e Idanha-a-Velha (Egitânia), sendo esta última onde mais monarcas visigodos mandaram cunhar moeda. Conhecem-se moedas da Egitânia dos reis Recaredo, Gundemaro, Sisebuto, Suintila, Sisenando, Chintila, Tulgan, Chindasvinto, Ervígio, Égica, Égica e Vitiza, Vitiza e Roderico. A moeda chegava em maior quantidade a Alcafozes, despois de uns magros sestércios romanos. Foi na Egitânia que Rodrigo, último rei Visigodo, mandou cunhar moeda e da qual se conhecem apenas três exemplares. O Tremissis, também conhecido como Triente, foi a moeda de ouro visigoda em circulação na Península Ibérica. Para além do ouro, não é seguro que os visigodos tenham cunhado outro tipo de metal, nomeadamente cobre. O numerário de pequeno valor que circulava na Alta Idade Média talvez fosse, ainda, os pequenos bronzes tardo- -romanos. Os Visigodos dominaram praticamente toda a actual Península Ibérica até 711, ano em que o seu último rei, Rodrigo, foi derrotado pelo berbere Tarik. Alcafozes continuava a ser uma fonte produtiva de vinho, azeite e gado.
 


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