A invasão muçulmana transformou a romana-visigoda Stagni Confossis ou Villae Confossis em Al Confossis, a designação árabe que chegaria ao nome da actual Alcafozes. Apesar da fuga de muitos habitantes da zona para norte e evitar, assim, os conquistadores vindos do Norte de África, aqueles que ficaram continuaram as suas actividades de pastorícia, azeite e vinho, mas o néctar dos deuses seria gradualmente abolido de Alcafozes (e não só) por a sua religião não permitir a ingerência de bebidas álcoolicas. Na turbulência da transição suevo-visigótica para para os mouros, a igreja de Idanha-a-Velha foi reconvertida em mesquita, embora os novos conquistadores permitissem o cristianismo e o judaísmo mas sem manifestações externas das suas opções religiosas.
Esta invasão moura de Portugal ocorreu em 711, quando um exército muçulmano liderado por Tariq ibn Ziyad atravessou o Estreito de Gibraltar. Durante séculos, os Mouros governaram Portugal, deixando uma marca duradoura na paisagem do país. A sua presença durou mais de quatro séculos e revolucionou a agricultura portuguesa, bem como as realizações intelectuais e artísticas. Introduziram novas culturas como arroz, frutas cítricas, romãs e até cana-de-açúcar. Fixaram-se em diferentes regiões, nomeadamente Lisboa (a que chamavam "Lashbuna"), Santarém, Mértola e pouco a pouco todo o território que hoje forma Portugal. Os mouros começaram como conquistadores, mas rapidamente se tornaram arquitectos, cientistas e músicos.
Quem observa a formação do território português costuma associá-la apenas ao Condado Portucalense e à figura de D. Afonso Henriques. No entanto, antes disso, existiu na Península Ibérica um mosaico de reinos muçulmanos, conhecidos por taifas, que floresceram após a fragmentação do Califado de Córdova. Entre eles, destacou-se o Reino ou Taifa de Badajoz, cuja autoridade chegou a estender-se por cerca de metade do que hoje corresponde a Portugal. A sua capital era a cidade de Badajoz, fundada em 875 pelo rebelde Ibne Maruane, que a ergueu num local estratégico junto ao rio Guadiana.Formado por volta de 1009 ou 1013, o Reino de Badajoz surgiu numa época de instabilidade política e de dissolução do poder central islâmico. O primeiro governante foi Sabur, antigo escravo eslavo do califa Aláqueme II, que aproveitou a crise do Califado de Córdova para proclamar a independência.Quando Sabur morreu, em 1022, o seu vizir Abedalá ibne Alaftas assumiu o comando, fundando a dinastia Aftácida. Gradualmente, o reino consolidou-se e expandiu-se, integrando boa parte da antiga Lusitânia romana, incluindo Mérida e Lisboa, prolongando-se até às proximidades do Douro a norte e abrangendo extensas zonas do Alentejo e toda a Beira Baixa actual, incluindo, obviamente a aldeia de Alcafozes.
Alcafozes e a Beira Baixa integrados na Taifa de Badajoz na ocupação moura

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