sábado, 11 de janeiro de 2025

A PESTE da MORTE e a ÀGUA da VIDA

 O primeiro e o maior surto de peste negra ocorreu entre 1348 e 1350, mas outros surtos aconteceram ao longo de todo o século XIV. A peste foi uma doença que esteve presente na vida dos europeus até 1720, quando o último surto foi registrado em Marselha, na França, tivesse sido no Porto que a Europa sofreu a última crise endémica de peste negra em 1915. 
Alcafozes, no século XIV estava a recuperar da deserção de muitos habitantes para o Norte aquando da invasao muçulmana. Apesar de não ter sido atingida com a virulência idêntica à da cidade de Lisboa, em que metade da população pereceu, Alcafozes, na altura com pouco mais de 500 habitantes, assistiu à morte de muitos conterrâneos afectados pela terrível epidemia. 
Apesar de tudo, os bons ares vindos de Oeste, ou seja do longínquo mar atlântico e os seus variados recursos hídricos, como a própria Ribeira de Alcafozes, o Rio Ponsul a 6 kms, o Rio Aravil a 2 kms, a fonte do Almo, o poço da Bica, a Fonte Soite, a Fonte Ferrenha e a nascente das Taipinhas relativizaram a peste, embora a actividade intensa de pastorícia fosse intensa da região e a erva ou o pasto de restolho permitissem manter os anumais em condições de produzir carne, leite e lâ e os porcos andassen em varas à procura do seu alimento preferido, a bolota caída dos carvalhos, sobreiros e, ali, as numerosas azinheiras, embora as gentes também a aproveitassem para confesionar refeições porque a batata ainda não tinha chegado da América. 

À medida que o declínio de Idanha-a-Velha se acentuava e a maoria dos seus habitantes fundaram Idanha-a-Nova, que assim emergia de uma letargia pré-histórica e acabou por receber o foral do rei D. Sancho I, em 1206. Embora nunca tenha conhecido o declínio irreversível da Egitânia, Alcafozes, sendo uma aldeia muito mais antiga e praticamente um bairro de Idanha-a-Velha, deixou-se não concorreu com Idanha-a-Nova  pela primazia dominante na zona e continuou a evoluir, mas de uma forma muito menos expedita que a "filha" da Egitânea. Contribuiu também a decadência da Idanha mais velha a passagem do seu bispado para a cidade da Guarda, não se sabendo ao certo se existiu qalquer absorção egitaniense na cidade mais alta de Portugal. 

Para terminar este capítulo, uma referência à Fonte do Álamo, nome oficial do lugar e inscrito no local e a designação que eu e o povo fazemos de Fonte do Almo. Houve quem referisse que os dois termos significavam o mesmo, Não é assim. O álamo é uma árvore decícua que porte médio que pode atingir os 30 metros de altura. Já a palavra almo é proveniente do latim "almu", ou seja, "algo que alimenta". Portanto, nada melhor que observar a paisagem em redor e ver qual delas corresponde à fonte; se algum álamo de 30 metros de altura ou algo que alimenta...ou mata a sede. Aceitam-se opiniões...


Fonte Ferrenha de água férrea em Alcafozes

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

ALCAFOZES NA ORDEM DE CRISTO

 Alcafozes estava inserida em território pertencente à Ordem de Cristo, depois de a Ordem dos Templários ter sido extinta e os seus componentes  serem salvos da morte, prisão e tortura ordenada pelo Papa Clemente V, em 22 de Março de 1312, graças à subtileza e engenho do rei D. Manuel. A nova Ordem daí resutante foi tutelada pelo rei D. Manuel e secularizada em 1510 e, em 1551, pela bula de Júlio III. No tempo de D. João III, os bens passaram para a Coroa. Deste modo foram criadas novas comendas, em que muitas vezes os comendadores arrendavam as propriedades e, nesse sentido, foi sendo cada vez mais frequente frequente a existência de rendeiros, os grandes proprietários da terra. 
Mas. voltando atrás no tempo mais ou menos três séculos, a par com a edificação de castelos e fortificações, os Mestres Templários concedem às populações cartas de foral com o objetivo de firmar os direitos e deveres dos seus habitantes. Neste sentido, foi possível identificar perto de uma dezena e meia de forais que os mestres da milícia Templária concederam às comunidades fixadas nas suas terras. Pão, vinho e linho eram, no entanto, obrigações das populações a conceder aos cavaleiros do templo. 

Eem novembro de 1165, D. Afonso Henriques doou a D. Gualdim Pais a terra de Idanha-a-Velha e de Monsanto, com a condição de esta milícia não só servir o monarca, mas também ser uma forma de reforçar presença de população junto à fronteira. Em outubro de 1213, D. Pedro Álvares de Alvito, Mestre da Ordem do Templo, concede foral a Castelo Branco com a intenção também ali também se fixar população.  Uns anos antes, em janeiro de 1206, os freires Templários tinham recebido de D. Sancho I a vizinha terra de Idanha-a-Nova e o monarca conformaria ainda a doação de Idanha-a-Velha, feita por seu pai D. Afonso Henriques.  A infuência Templária na raia beirã consolidava-se. O mestre Templário tinha residência em Castelo Branco, tendo sido celebrados aí vários capítulos da Ordem. O texto do foral de Castelo Branco enumera obrigações, direitos e penas dos seus habitantes dos vários grupos sociais, acrescentando que os clérigos têm os mesmos direitos dos cavaleiros. Refere-se a cristãos, judeus e mouros em igualdade de circunstâncias, numa situação de fiadores, sem fazer qualquer menção a inimigos. ou oponente. 

Em abril de 1218, o mesmo D. Pedro Álvares de Alvito, Mestre da Ordem do Templo, juntamente com o convento, doam foral à localidade de Proença-a-Velha, geograficamente muito próxima das Idanhas. Aliás, e como se lê no texto do foral, os costumes dados a Proença são os mesmos do foral de Idanha-a-Nova e mesmo o de Castelo Branco: a intenção de fixar população.. Aos clérigos são dados importantes privilégios e liberdades e são estabelecidos os direitos e deveres dos moradores. Tanto mouros como cristãos estavam obrigados ao pagamento de portagens e passagens, o que pressupõe uma igualdade de tratamento a ambos. Há ainda outras referências a mouros no texto do documento, mas enquanto moradores do concelho, sugerindo uma convivência pacífica entre povos. Depois  No ano seguinte, o mesmo monarca doara a D. Pedro de Alvito, Mestre Templário, as vilas de Idanha-a-Nova e Idanhaa-Velha, confirmando carta de doação de D. Sancho I à Ordem do Templo da vila de Idanha-a-Nova, que por sua vez confirmava doação à Ordem da vila de Idanha-a-Velha.
Por essa altura, Alcafozes era pouco mais que a actual Rua Dr. António Lopes e uns palheiros à saida da terra, onde uma cerca e portões asseguravam que nem bandos de saqueadores ou animais selvagens, nomeadamente matilhas de lobos ou ursos roubavam ou dizimavam o gado. 


Casas e palheiros limítrofes de Alcafozes na Idade Média

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Tratado de Alcanizes e Alcafozes portuguesa

 A Ordem do Templo foi fundada em 1118 ou 1119 e extinta em 1312. Na sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, centenas de cavaleiros Templários por toda a França foram presos simultaneamente por agentes de Filipe o Belo e sujeitos a tortura para confessarem a heresia da própria ordem religiosa, facto que provavelmente esteve na origem da superstição de as sextas-feiras dia 13 serem considerada dias de azar. Os Templários conjugavam o ideal do monge com o exercício da guerra. Após o seu reconhecimento no Concílio de Troyes, em 1128-9, os freires dedicaram-se à proteção dos peregrinos ao longo dos caminhos até aos lugares santos e tiveram um papel crucial na Reconquista Cristã.

A Reconquista Cristã ter-se-á iniciado em 1064, mas a entrada da ordem religioso-militar no Condado Portucalense é anterior. A milícia ter-se-á apresentado aquando a sua fundação, pela primavera de 1128, ano em que a Ordem foi estabelecida.Em Portugal, e no contexto da Reconquista, procurou-se restaurar as antigas dioceses dos reinos suevo e visigodo. Braga assume em 1071 um papel político e eclesiástico no Condado, evidenciado pela sua entrega ao arcebispo em 1112, por parte do Conde D. Henrique, que escolheu a catedral para sua sepultura. A diocese do Porto foi restaurada em 1112-13.

Gualdim Pais, o Mestre da Ordem, doou ao Templo  Idanha-a-Velha, Monsanto e provavelmente Segura, o que terá ocorrido em 1165 e ali edificaram os castelos. A documentação relativa à presença da milícia em Castelo Branco remonta àquele ano. Dois anos depois, Geraldo Sem Pavor conquistar Monsanto. Em 1169, D. Afonso Henriques doou a terça parte das terras que conseguissem conquistar a sul do rio Tejo, algumas com importância militar, a fim de se prosseguir com a Reconquista. Em 1169, o rei doou os castelos de Cardiga e do Zêzere e suas propriedades.O Mestre Gualdim Pais  restaurou os castelos de Almourol e Cardiga (1171) e realizou obra nas fortalezas de Monsanto e Idanha, através das quais acautelou a defesa do vale do Tejo. Esta linha de defesa assumiu um papel determinante no século XII face aos almóadas, aquando o cerco de seis dias ao castelo de Tomar pelos almóadas, em 1190. 

No reinado seguinte, D. Sancho I confirmou a doação a Idanha-a-Velha em 1197 por constituir uma área difícil de manter, mas Mogadouro e Penas Róias voltaram à coroa. Em 1198, os Templários receberam Nisa-a-Velha e no ano seguinte, Ródão. No entanto, o Alentejo não estava destinado ao Templo, mas sim a outras ordens religioso-militares. Em 1203, é doada Idanha-a-Nova e em 1206, Dornes. A construção da Torre de Dornes terá sido encomendada por Gualdim Pais na segunda metade do século XII. Castelo Novo é mencionado em testamento do seu alcaide em 1208 como sendo possessão da Ordem à data. Por D. Afonso II, os Templários receberam a terra de Cardosa, em Castelo Branco. Em 1215, é doado o Castelo de Coruche, assim como vinha e casas em Évora. Em 1218, Alcácer do Sal foi conquistado e o foral concedido a Proença-a-Velha, ambos pela Ordem. Nos anos seguintes foram sendo atribuídas as cartas a Vila de Touro, Ega, Idanha-a-Velha, mas em 1244, D. Sancho II volta a doar ao Templo os direitos de Idanha e de Salvaterra do Extremo, junto à fronteira. O castelo de Rosmaninhal terá sido construído depois de 1237, após o povoamento da vila pelos Templários. 
O tratado de Alcanzes, assinado em 1297, pelo rei D. Dinis, definiu as fronteiras entre as Beiras e a Extremadura castelhana, as quais ainda hoje se mantêm, sendo consideradas as mais antigas da Europa. Alcafizes é definitivamente portuguesa. 


Gualdim Pais e os Templários, os primeiros donos da Alcafozes portuguesa


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Alcafozes protegida pelos Templários

 A independência de Portugal foi reconhecida pelo rei Afonso VII, de Leão, no Tratado de Zamora, em 1143. Só anos mais tarde, em 1179, o reino português foi confirmado no seu estatuto de estado independente pelo Papa Alexandre III. Por esta altura do aval papal já se iniciara a conquista de terras aos mouros para a configuração de Portugal. O objectivo principal de D.Afonso Heenriques era Lisboa e também Badajiz, náo só para estender o reino para Sul e alargar o mais possível o rectângulo em que se transformaria o país. A primeira tentativa de conquistar Lisboa falhou devido ao desentendimento dos cruzados. Posteriormente, após um longo cerco que durou de 1 de Julho até 25 de Outubro de 1147, Lisboa caiu, finalmente, nas mão de D. Afonso Henriques e com ela Sintra, Almada, Palmela e também Sesimbra. Se Lisboa foi um êxito, Badajoz constituiu um desastre. As milícias de Geral Sem Pavor foram cercadas na cidade, D. Afonso Henriques acorreu para ajudar o seu "general", mas partiu uma perna na saída da cidade e, segundo consta, num mais entrou em batalhas, a partir desse ano de 1169. 

A cidade da Guarda, como o próprio nome indica, foi-lhe atribuído como uma vigia da fronteira ba Reconquista cristá. Antes disso, por lá estiveram povos latinizados, como os romanos, que bebiam vinho e depois do germanos, que se deliciavam com cerveja de bolota. Além da religião eram estes os dois factores mais evidentes que os diferenciavam, Em 1166 a cidade de Cáceres, paredes-meias com a Beira Baixa foi conquistada por Geraldes Sem Pavor. Finalmente os portugueses passavam a Leste da Serra da Estrela, Covilhã, Fundão, Castelo Branco e, obviamente, Alcafozes fazia finalmente parte de Portugal. Um dos grandes conquistadores de terras aos Mouros, Gonçalo Mendes da Maia, morreu em conbate 3m 1177, na tomada de Beja, aos 91 anos. 
Gualdim Pais era agora o Mestre dos Templários em Portugal. O Castelo de Penha Garcia foi construído pela Ordem do Templo no início do século XIV, sobre um outro mais antigo. Local estratégico na defesa da fronteira leste de Portugal, faz parte da linha de defesa do médio Tejo. 
O castelo mantinha contacto visual com os castelos de Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Nova, Castelo Branco, Monsanto e Bemposta, todos da Ordem do Templo. Alcafozes, num lugar baixo e relatuvamente resguardado, comunicava com caminhos já degradados do tempo dos romanos para Idanha.a.Nova, Senhora do Almortão, Zebrreira, Idanha-a-Velha, Monsanto e Medelim. Era uma época relativamente tranquila, controlada pelos Templários e é praticamente certo que a sua população cresceu em relação à ocupação muçulmana. Até é muito possível que alguns cavaleiros nórdicos tenham por ali assentado arraiais nas abundantes terras de azeite e gado e por ali começacem a aparecer outras profissões como albardeiros, ferreiros   e curtidores de peles, entre outros. A aldeia de Alcafozes voltava a prosperar depois dos tempos aureos de Idanha-a-Velha, agora caída na desertificação. Em 1229 foi atribuído o foral a Idanha-a-Nova. 


Alcafozes, uma terra discreta abraçada por oliveiras

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Da Reconquista aos Templários

 Sem uma fortificação com efeitos estratégicos para Cristãos ou Mouros na epopeia da Reconquista,  o povoado de Alvafozes terá sido terra de passagem para os cavaleiros de D. Afonso Henriques, que conquiatram o castelo de
Monsanto em 1165 e também do célebre Grealdo Sem Pavor, um dos mais eficazes "generais" do primeiro rei de Portugal. A zona em redor de Alcafozes, cuja água dava de beber aos cavalos que necesstam de 30 litros diários do precioso líquido, viu-se, de repente quase deserta. Os habitantes de Idanha-a-Velha espalharam-se por vários pontos das Beiras, há uma versão de que seriam eles quem fundou ou desenvolveu Idanha-a-Nova com esta migração ficando pela Rua Velha e umas poucas casas mais alguns pastores árabes convertidos ao Cristianismo. 
Por esta altura, apesar de Portugal se entender para Sul não existiam fronteiras definidas. Os ataques e os contra-ataques de Mouros e Cristãos eram constantes e a extensão terrotorial que Portugal pretendia, após a conquista de Castelo Branco, extendeu-se a Badajoz, palco de um ataque devastador do rei e do Sem Pavor. A desertificação da Beira colocava em perigo a continuidade de Portugal para o seu actual formato e D. Afonso Henriques decidiu entregar essas terras beirás à Ordem dos Templários ao perceptos Gualdim Pais, um guerreiro que tinha feito parte de todas as campanhas com D.Afonso Henriques, Martim Moniz e Mem Ramires. Também combateu nas cruzadas da Terra Santa, em Jafa, Antioquia e Damasco. Foi ele quem mandou construir ou reconstruir os castelos de Tomar, Monsanto, Idanha-a-Nova e Pombal. 
Alcafozes, que estava a viver o ponto mais baixo da sua milenar existência, viu renascer a população, as actividades agrícolas e de pastoreio com a chega de novos colonos vindos de terras do Norte e que erm indispensáveis às fronteiras portuguesas.  Em 1229, D. Sancho II deu foral a Idanha-a-Nova, com a Idanha-a-Velha em acentuado declínio e o bispado da Egitânia transferido para a Guarda. Alcafozes sobrevivera às convulsões da transformação radical das Beiras e iniciou um período  de alguma prosperidade.
  


Gualdim Pais, o "rei e senhor" da Beira Baixa

domingo, 5 de janeiro de 2025

O ouro de Idanha-a-Velha

 O território de Idanha-a-Velha e Alcafozes só foi verdadeiramente estruturado quando os romanos se instalaram na zona. O seu principal interesse foi explorar o o ouro que era colhido nos leitos do Rio Pônsul, Rio Erges, Rio Ocreza, além da Ribeira de Alcafozes e outras de idêntica dimensão. Os governadores da então Lusitânia concentraram as suas atenções em Civitas Igaeditanorum (Idanha-a-Velha) por duas razões: a privilegiada posição geográfica, local de passagem entre Emerita Augusta (Mérida) e Bracara Augusta (Braga) e, justamente, a riqueza aurífera. As conheiras, amontoados de seixos retirados dos rios existentes no território são prova cabal do interesse dos romanos: sacar todo o ouro possível. Os romanos conseguiram exrair dos mais diversos curso de água da região cerca de 3500 quilos de minério aurífero. 


A invasão árabe na Beira Baixa

Uma parte desse ouro era enviado para Roma e o restante era fundido em barras, cunhado em moedas ou modelado em objectos e figuras. 
Alcafozes espraiava-se ainda acanhada entre a Fonte do Almo e a Rua Velha, com as cercas já referidas para impedir ou roubo de gado ou a entrada de animais selvagens, como lobos e ursos. A invasão dos Suevos, Alanos, Visigodos, tribos de origem germânica, considerados bárbaros pelos romanos, obrigou a levar ou a esconder apressadamente inúmeros tesouros, cujos prováveis locais deram origem às mais variadas lendas. 
A entrada dos árabes na terra cirundante de Idanha-a-Velha obrigou a mudar os tesouros para lugares mais seguros. Em Alcafozes falava-se muito do tesouro do Cabeço do Mouros, um local rodeado quase totalmente pelo Rio Pônsul, excepto a  Sul. Até meados do século passado circulavam por Alcafozes uma espécie de mapas rústicos sobre o local onde estaria esse tesouro. Muitos homens por lá andaram a escavar à revelia da GNR, mas, segundo os aldeões mais idosos da aldeia, a cavadelas esbarravam em duas grandes lajes que não deixavam progredir no tunem. No entanto, dizia-se que alguém conseguiu encontrar umas imagens em ouro e desapareceu da terra com a família. Oficialmente, contudo, os arqueólogos só por lá encontraram uma pedaço de espora e uma moeda da prata romana. Mas a lenda mantém-se...
Essas caças aos tesouros acentuaram-se com os conflitos frequentes entre os guerreiros das diversas tribos árabes para controlo das taifas, uma espécie de pequenos reinos ou nações com bamdeira própria. O rei Omar Mutavaquil reinou na Taifa de Badajoz desde 1072 até seu assassinado perto de Badajoz, em 1094. Filho de Maomé Almuzafar, foi o último monarca da dinastia aftácida. 
 
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sábado, 4 de janeiro de 2025

A Al Confossis moura

 A invasão muçulmana transformou a romana-visigoda Stagni Confossis ou Villae Confossis em Al Confossis, a designação árabe que chegaria ao nome da actual Alcafozes. Apesar da fuga de muitos habitantes da zona para norte e evitar, assim, os conquistadores vindos do Norte de África, aqueles que ficaram continuaram as suas actividades de pastorícia, azeite e vinho, mas o néctar dos deuses seria gradualmente abolido de Alcafozes (e não só) por a sua religião não permitir a ingerência de bebidas álcoolicas. Na turbulência da transição suevo-visigótica para para os mouros, a igreja de Idanha-a-Velha foi reconvertida em mesquita, embora os novos conquistadores permitissem o cristianismo e o judaísmo mas sem manifestações externas das suas opções religiosas

Esta invasão moura de Portugal ocorreu em 711, quando um exército muçulmano liderado por Tariq ibn Ziyad atravessou o Estreito de Gibraltar. Durante séculos, os Mouros governaram Portugal, deixando uma marca duradoura na paisagem do país. A sua presença durou mais de quatro séculos e revolucionou a agricultura portuguesa, bem como as realizações intelectuais e artísticas. Introduziram novas culturas como arroz, frutas cítricas, romãs e até cana-de-açúcar. Fixaram-se em diferentes regiões, nomeadamente Lisboa (a que chamavam "Lashbuna"), Santarém, Mértola e pouco a pouco todo o território que hoje forma Portugal.  Os mouros começaram como conquistadores, mas rapidamente se tornaram arquitectos, cientistas e músicos.

Quem observa a formação do território português costuma associá-la apenas ao Condado Portucalense e à figura de D. Afonso Henriques. No entanto, antes disso, existiu na Península Ibérica um mosaico de reinos muçulmanos, conhecidos por taifas, que floresceram após a fragmentação do Califado de Córdova. Entre eles, destacou-se o Reino ou Taifa de Badajoz, cuja autoridade chegou a estender-se por cerca de metade do que hoje corresponde a Portugal. A  sua capital era a cidade de Badajoz, fundada em 875 pelo rebelde Ibne Maruane, que a ergueu num local estratégico junto ao rio Guadiana.Formado por volta de 1009 ou 1013, o Reino de Badajoz surgiu numa época de instabilidade política e de dissolução do poder central islâmico. O primeiro governante foi Sabur, antigo escravo eslavo do califa Aláqueme II, que aproveitou a crise do Califado de Córdova para proclamar a independência.Quando Sabur morreu, em 1022, o seu vizir Abedalá ibne Alaftas assumiu o comando, fundando a dinastia Aftácida. Gradualmente, o reino consolidou-se e expandiu-se, integrando boa parte da antiga Lusitânia romana, incluindo Mérida e Lisboa, prolongando-se até às proximidades do Douro a norte e abrangendo extensas zonas do Alentejo e toda a Beira Baixa actual, incluindo, obviamente a aldeia de Alcafozes. 


Alcafozes e a Beira Baixa integrados na Taifa de Badajoz na ocupação moura


O "LEQUE" nos anos 60

  Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...