Esta é a casa original dos meus avós, onde entrei pela primeira vez aos seis meses de idade. Quando, mais velho, tomei consciência do que me rodeava, esta era a casa dos meus sonhos. Aquela pela qual eu aguardava um ano para ali passar a quase totalidade do mês de Setembro. Como não tenho uma foto da casa nessa época, o filho da mãe que mas roubou que as coma ao pequeno-almoço em vez de flocos, pintei este quadro que a reproduz quase, na sua essência, inspirada fielmente da memória que perdura, dos muitos detalhes que recordo, dos cheiros que aromam o imaginário.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
A CASA DOS MEUS AVÓS
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
A VIAGEM LISBOA-ALCAFOZES nos anos 50
A primeira recordação de uma longa viagem com ela aconteceu na visita anual à Beira Baixa, província de onde é natural a minha família. Teria eu uns 4 ou 5 anos. O despertar para essa verdadeira epopeia iniciava-se muito cedo. Às 2h30 ou 03h00 da madrugava já os meus pais me chamavam para levantar da cama. Ainda ensonado, mas muito excitado pelo acontecimento que me aguardava, seguia-se a lavagem o pequeno-almoço quando ainda os galos não cantavam, os últimos acertos e retoques da bagagem e, finalmente, a ida para a estação de Santa Apolónia. O comboio para a Beira Baixa partia da Linha 2 às 07h35. Naquele tempo, finais dos anos 50, as composições eram uma longa fila de carruagens de I, II e III classe. Eu ficava fascinado com aqueles "monstros" sobre carris e o cheiro que deles emanava. O meu Pai, nessa altura, só tinha 15 dias de férias e seguia mais tarde de carro, a tempo de convivermos todos nas festas anuais de Nossa Senhora do Loreto. Portanto, este trajecto obrigatório de inícios de Setembro fazia-se sem ele, mas com a minha Mãe, as minhas tias e o meu primo. Mal o comboio se punha em movimento eu queria era ir pendurado à janela. Não havia ainda aquelas modernices do ar condicionado e sentir o vento na cara, ouvir o roncar da locomotiva diesel e observar aquela longa extensão de carruagens nas curvas deixavam-me extasiado. A minha Mãe estava sempre a puxar-me para dentro, não só por questões de segurança, mas também para não ficar todo mascarrado com as partículas de fumo ejectadas pela locomotiva. E logo ela que queria sempre tudo muito limpo, fosse em que circunstâncias fosse.
Passadas as estações de Vila Franca de Xira, Santarém, Abrantes, já quando o comboio seguia paralelo ao rio Tejo e se vislumbrava o majestoso castelo de Almourol era hora da abrir o saco da merenda. E como sabiam bem as sandes de carne assada, os pastéis e as pataniscas de bacalhau ou os carapaus fritos.De quando em vez lá ia a minha Mãe buscar-me por uma orelha à varanda da carruagem, muito parecida com aquelas que se vêm nos filmes do Far-West. Quer dizer que chegava a Castelo Branco com as minhas pobres orelhas em brasa...
Na capital da Beira Baixa, o calor já apertava bastante às 12h30. Aí, uma camioneta de passageiros levava-nos para a garagem central da empresa de transportes de passageiros Martins-Évora. Havia que esperar pela ligação rodoviária entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova. Eu ficava esbaforido com o calor e lembro-me da senhora que vendia bananas e comia uma ou duas.
Mas ainda havia que fazer o percurso de Idanha-a-Nova para Alcafozes, numa relíquia das estradas que era a vetusta Ford, apenas com uma porta ao meio, a arrastar-se e a fumegar do radiador pelo caminho de terra e saibro até chegarmos, já quase ao pôr-do-sol, a Alcafozes, o nosso destino.
À entrada da aldeia estava sempre a minha avó à nossa espera, às vezes com um jerico pela rédea para ajudar a levar as malas e bagagens até à casa construída pelo meu avô Joaquim.
Ainda nem sequer tinha entrado em casa e já andava a correr atrás das galinhas e, obviamente, a minha Mãe, mais uma vez, a puxar-me as orelhas e a enfiar-me numa bacia de água para me lavar no final daquela longa maratona.
Uffff!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
O BURRO "SÓCIO" DO MEU AVÔ "ESTROINA"
O "Sócio" foi o último burro do meu avô Joaquim Matos Rolo. Mas a conotação humana de burro não se aplica, de modo algum, ao "Sócio", o dito. Esperto e discreto, nada burro o solípede. O "Sócio" era o jipe 4x4 do meu avô Joaquim Matos Rolo. Um burro ruço, mas não soviético e muito menos pertencente à ortodoxia com a sua capital em Moscovo, no Kremelin, apenas um questão de coloração do pêlo.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
LOBISOMENS, BRUXAS e MÁ-HORA ao SERÃO
Noite de Verão. Está escuro como é próprio da falta de luar. Ainda não chegou a luz eléctrica à aldeia recôndita da Beira Baixa. O bafo do calor diurno não se diluiu ainda. Só atenuará um pouco quando chegar a madrugada. Dentro da casa de dois andares, uma luz mortiça de uma candeia bruxeleia e confere ao ambiente uma soturna dança de sombras, idênticas às que serpenteiam através dos biombos chineses. São enormes, ameaçadoras, intimidantes.
domingo, 9 de fevereiro de 2025
O DECLÍNIO DE ALCAFOZES: "TERRA DE AZEITE E GADO"
Em menos de um século, Alcafozes viu diminuir a sua massa humana nada menos que dez vezes. De 1600 almas nos anos 30 e 40 para os actuais 160. Pode.se afirmar por estes números que a aldeia está a definhar em todas as vertentes e deixou-se envolver num abraço que poderá ser fatal por Idanha-a-Nova, vila com a qual reparte agora uma União de Freguesias. Neste resumo histórico de Alcafozes, recordem.se os tempos áureos de Alcafozes, naquela viagem épica de 12 horas que se iniciava às 07h25, na Estação de Santa Apolónia e terminava numa velha e ronceira camionate da carreira, uma Ford Bus de 1940, da empresa Martins-Évora, às 19h30, na aldeia.
Alcafozes sobrevive, hoje em dia, envolta nos quatro dias da Festa de Nossa Senhora do Loreto, no final de Agosto, e pouco mais. Ouvem-se uns artistas mais ou menos em voga na altura, compram-se umas senhas na quermesse, acompanha-se a procissão e olha-se para o ar a ver passar os aviões F-16 da FAP. Finda a cerimónia, a povoação regressa a um dia-a-dia monótono para a sua centena e meia de gente.
Longe vão os tempos da euforia (quase) geral da implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, à qual a população de Alcafozes aderiu com todo o povo à volta da nova bandeira empunhada por um republicano dos sete costados, Benjamim Nunes Leitão. Enquanto uns rejubilavam com o hastear do estandarte, outros perseguiram Joaquim Franco, fervoroso monárquico, que se refugiou em Espanha. Uma história curiosa e hilariante é a do Senhor "Conde" (de quê?) que armou a criadagem ao ser serviço com bacamartes e espingardas de carregar pela boca e foi entricheirar-se em Monsanto. Ao aproximar de uma força com duas bocas de fogo pela estrada de Medelim, o fervor da resistência foi por água abaixo e cada um fugiu para seu lado.
Apesar do temor que impunha a Casa Franca, contava-se, entre outros casos, que a melhor galinha, entre outros haveres, era oferecida às "senhoras", uma aitude reverencial que, por exemplo, não afectou uma mulher de armas que, enfrentou e irrompeu o cerco dos empregados dos donos do terreno da fonte do Chafariz Novo, e de caldeiro em punho avanlou e emcheu-o de água. O resto do povo, empolgado com o seu exemplo, tomou a fonte e esta nunca mais seria propriedade só para dar água aos senhores feudais de Alcafozes. O respeito era de tal modo imposto pelos proprietários e aceite pela esmagadora maioria dos habitantes, que o latifundiário Marrcos, de Idanha-a-Velha, impunha a estes e também aos de Alcafozes que tirassem o chapéu quando ele passasse no seu automóvel num geste revenrencial.
Numa terra dominada por um caciquismo comum a todo o território nacional, de louceiros sem louça, lavradores sem terras, azeitoneiros sem oliveiras, de boletreiros sem azinheiras, os "esturrêdos, como eram conhecidos os carvoeiros de Alcafozes que vendiam o carvão que vendiam pela vizinhança, nomeadamente aos "alarves" (de onde esta alcunha?) de Idanha-a-Nova, ainda alargaram os limites da aldeia quando os Franco venderam o "Cabeço" de pastagem para o gado em lotes, surgindo o Bairro de Nossa Senhora do Loreto, desenhado com traça pombalina, de ruas paralelas e travessa perpendiculares como a Baixa de Lisboa. Terá sido esse o auge populacional e económico de Alcafozes através de recursos própriios. Mas com o progresso também se desfigorou a terra, Não seria inevitável se houvesse quem enxergasse. mais longe e pensasse mais além.
A primeira machadada na estrutura de Alcafozes foi asfixiar a Igreja Matriz de São Sebastião com construções tão próximas à sua frente, algo que é um "pecado" paisagistico neste afunilamento sem sentido, constário às normas destas construções da fé que devem possuir amplos adros à sua frente.
Mas logo na entrada, o progresso deu um rombo naquilo que a povoação tinha de mais interessante. O Leque, com quatro triângulos em forma de trevo de quatro folhas, arborizado e com quatro belas placas rectangulares com duas "pernas", indicando um deles Idanha-a-Nova 13 kms; outro Granja de São Pedro 6 kms, outro Medelim 13 kms, Covilhã (?) e Guarda 90 kms e o último, obviamente, Alcafozes. Este lugar de estética imaculada foi arrasado para uma chamada rotunda, deserta, vazia, quase invisível, como as cabeças que a idealizaram. Parece que se pretende colocar nesse espaço um monmento a representar uma saca de carvão e um pão, erradamente considerados símbolos máximos, o "ex-libris" de Alcafozes, sendo que o que consta na sua bandeira e brasão é uma oliveira, que há dois mil anos, tal como o gado, representam a história milenar da aldeia. "Alcafozes terra de azeite egado, sim", de "Pão e carvão" não tem sustentação. O pão (bem saboroso, diga-se de passagem) era para consumo pessoal e o carvão, de raíz de azinheira ou de chamiços, é uma actividade que nem um século regista. Isto não é uma questão de gosto, é uma questão de história.
É um bocado estranho a colocação de passadeiras para peões, espelhos nas esquipas para o trânsito e lombas para abrandar a velocidade, registo o desinteresse geral de não mandar para o pretenso centro cultural os marcos miliários romanos referentes a Alcafozes, um na esquina de um prédio na aldeia, outro no museu de Idanha-a-Velha e um terceiro no museu de Idanha-a-Nova. E Alcafozes não merece o que é seu exposto na terra? São imensos os artefactos que poderiam dar úm conteúdo muito ineteressante ao tal putativo Centro Cultural. Dizem que não gente para ir ver. Isso é a teoria do deixa andar. Há terras na Beira Alta, menores e mais escondidas que Alcafozes, que, além de manterem a traça original exterior das casas e caminhos muito mais sinuosos para lá se chegar exploram restaurantes de luxo com uma clientela de estrato médio-alto. E outras com discotecas bem isoladas mas repletas de clientes. Aliás, e para terminar, uma referência à alteração da traça original das casas do seu tradicional exterior em xisto, tradicional na zona, e granito, para aquelas despersonalizadas pinturas brancas que nada condizem com a região. Não custava manter e até reparar o exterior, mas deixá-lo como foi arquitectado e no seu interior fazer uma remodelação total para modernizae a habitação e torná-la mais confortável. E como se não bastassem todos estes transtornos, ainda veio a negociata dos eucaliptos defigurar ainda mais a outrora misteriosa beleza de Alcafozes.
Até quando sobreviverá Alcafozes?
Uma casa de Alcafozes ainda não exteriormente desfigurada
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
DA SEMENTEIRA à COLHEITA, a LOIÇA e o CARVÃO
No círculo da vida em Alcafozes, o primeiro trabalho do ano é a sementeira, pois sem ela não há sustento. Este mê de Outubro é duro, trabalha.se de dia e noite, sob vigilância apertada dos patrões na figura dos capatazes. A remuneração. se assim se lhe pode chamar, são 80 litros de trigo em grão, 10 litros de feijão, 3 litros de azeite e 400$00 em dinheiro. Isqueto num ano bom. Como não há tempo para descanso o trabalho não pára e de Novembro a Fevereiro trabalha-se afincadaemnte na apanha da azeitona, com pagamento à jorna. Ao dia, para os mais novos entenderem, Sem férias, que a vida não dá para isso, de Fevereiro a fins de Abrilé preciso levrar as terras pela primeira vez, a chamada decrua. No mês seguinte em Maio, após uma bervíssima pausa para as Festas do Espírito Santo, segue-se o período da ceifa, quando se apanha o quinto.
Todos os quinteiros vão receber as comédias, que consiste em 80 litros de trigo, um queijo, um litro de azeite e um litro de vinagre. Coisa pouca que com parcimónia sustenta uma família de homem, mulher e quase sempre mais de três gaiatos. A ceifa prolonga-se até ao fim de Junho d pode ir até meados de Julho de o quinto (terreno da propriedade) for mais extenso. Em Agosto, quando o calor inclemente aperta nos cabeços com pedrgulhos de granito a fazer ferver ainda mais o corpo e a alma é preciso debulhar à mão ou com máquina, consoante a quantidade da colheita. A fechar o ciclo, em Setembro, aliaviado por uns dias de festa em honra de Nossa Senhora do Loreto. os homens sáo contratados para fazer as moitas. Antes de Setembro regressam os "ratinhos" do Alentejo, onde foram fazer uma "comissão de serviço". Alguns sucumbem ao esforço e reanimam com um púcaro de água que os aguenta até ao tardão, quando chega o burro ou a mula para o jantar. A assada é distribuída pelos alguidares, de onde um punhado de homens e mulheres vão retirando a comida para a boca. Com o inclemente sol a pinto é hora (uma hora mesmo) de sesta. Ao pôr-do-sol merenda-se o gaspacho: pão, azeite e água. Não alimenta para compensar todo aquele esforço mas refresca.
Desde o tempo dos romanos, ou até antes, a arte de fazer louça era uma indústria mais ou menos rústica dos povos. Por ali, em Alcafozes, era também natural que isso acontecesse, embora até determinada altura, à excepçáo da oligarquia da aldeia, o padre, homens das artes, ferreiros, albardeiros, etc, e, claro, o senhor da terra, a Casa Franca, reunissem a família em redor de um alguidar e dali casa um que se servisso melhor que podia, sendo que a melhor e maior parte era concedida ao homem da casa. Se por lá em Alcafozes se fizesse uma louça muito rústica, sem valor comercial para vendar onde quer que fosse, houve quem apostasse em levar um carro puxado por burros por caminhos de pedras enterradas na lama ou no pó até Idanha-a-Nova, onde essa indústria estava uma pouco mais desenvolvida e de melhor qualidade. AInda conheci homens de Alcafozes que me contaram que chegavam à Idanha e saíam de lá com 500 peças de louça, que ia vender após uma longa caminha até à Covilhã e mais a norte, a Viseu e à Guarda, de onde, feito o negócio, traziam, além de dinheiro, obviamente, batatas e cabolas, especialmente estas. Eram os chmados "louceiros", que intervalavam as suas actividades agrícolas com este pequeno negócio particular que requeriam uma longa caminhada. A qualidade da louça foi-se refinando com o tempo e, aí pelos anos 50 e 60, a loiça era pintada com motivos muito bem desenhados, normalmente em azul, constituindo verdadeiras peças de arte, juntamente com canecos, tachos e tabuleiros.
O rigor do clima exigia que se aquecesse a lareira para aquecer casas ainda sem forro e com as telhas à vista do interior, por onde, frequentemente, voava um pardal para o ninho ou apenas para se abrigar das borrascas. Nas camas de ferro ou nas tarimbas de madeira não havia mantas que chegassem para aquecer o corpo gelado sob quilos de roupa. A lenha era colhida e armazenada antes das chuvas e trovoadas de meados de Setembro, quando o tempo mudava a partir da terceira semana. Surgiram nos anos 40 e 50, tempo de carências na sequência da Guerra Civil Espanhola, da II Guerra Mundial e da reconstruçáo de uma Europa destruída, os carvoeiros de Alcafozes. Não eram muito os que fizeram vida nessa actividade que pouco durou. Quando a Casa Franca andou a arrancar sobreiros e azinheiras perto do Rio Pônsul para se erigir a Barragem de Idanha-a-Nova, nomeadamente na Granla do Cabeço dos Mouros, aproveitou-se a oportunidade de fazer o carvão das raíses dessas árvores abatidas para dar lugar a uma construção de que poderia transformar a zona de sequeiro em terras de regadio, o que nunca chegou a acontcer por questões de interesses não coincidentes. As raízes de tamanho consderável eram arrancadas à força de picareta. Escolhia-se as , madeiras de espécies duras, que produzem um carvão de melhor qualidade. Os cortes deviam ser de pedaços de tamanho uniforme para se obter uma carbonização homogénea e depois da matéria vegetal estar ben seca. Tradicionalmente, a carbonização é realizada em fornos simples ou "carvões", que limitam o fluxo de oxigênio ou outros mais complexos como um forno de argila. A madeira é empilhada em forma de pirâmide ou cilindro, coberta com solo ou folhas para minimizar a entrada de ar.A madeira é aquecida a temperaturas entre 300 °C a 700 °C. O calor causa a decomposição térmica da madeira, liberando gases, vapor de água e compostos voláteis, e resultando, enfim, na formação de carvão. Após o término da carbonização, o carvão deve ser resfriado antes de ser exposto ao ar para evitar que se incendeie.
Feito o trabalho, os homens carregavam as suas carroças para irem vender o produto pelas terras em redor de Alcafozes. Trabalho sujo merecia uma lavagem num curso de águas mais próximo, aproveitando umas plantas como sabão, como as giestas, mas o aspecto não melhoravam por aí além. E daí chamarem-lhes os "pretos de Alcafozes" quandose aproximavam das terras para vender o produto do seu trabalho. Mascarrados, roupa escurecida pelos fumos, mãos ásperas e com o cheiro característicos das lenhas, os carvoeiros entravam depressa das povoações e siam rapidamente por motivos óbvios. Esta actividade. no entanto, despertou muitos movimentos contrários à sua execução devido à poluícão nos campos e terras e ao aumento consoderável de doenças respiratórias. Várias aldeias fizeram chegar protestos à comarca de Castelo Brancp, denunciado doenças provocadas pela feitura do carvão. Por estas e por outras, aquela tirada de "Alcafozes terra do pão e do carvão" está completamente errada. O carvão por ali se fez em 20 e poucos anos nos mais de 2000 anos de abundância de azeite e gado. O pão, por seu lado, era para consumo próprio e quem não o sabia fazer, embora os três ou quatro fornos fossem geridos por "especialistas" de aquecer e manter uma temperatura normal. "Alcafozes terra de azeite e gado" por mais de 2000 mil anos destrói a numenclatura de um brevíssimo período de carvão. E quanto ao pão estamos conversados...
A fazedura de carvão em Alcafozes causou reclamações
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
SENHORA DAS DORES, CABOS DE POLÍCIA e "RATINHOS"
A Capela de Nossa Senhora das Dores, localizada em Alcafozes, faz parte do rico patrimônio cultural e religioso da região e foi descoberta por acaso quando da realização de umas obras em três casas contíguas no centreo da aldeia. A sua construção remonta ao século provavelmente ao século XVIII, época em que muitas capelas e igrejas foram erguidas em honra a santos e figuras religiosas, refletindo a devoção da população. Também a Confraria de Alcafozes, associada à Capela de Nossa Senhora das Dores, é uma associação religiosa que tem como objetivo promover a devoção e a realização de atividades litúrgicas e sociais dentro da comunidade local, nomeadamente a administração da actividade econónica e uma vasta influência na actividade militar. Esta é uma prova que, ao contrário de Idanha-a-Velha, cujas terras foram revolvidas até revelar muitos dos seus segredos, em Alcafozes isso não tem acontecido, o que é pena, pois não seria de estranhar que viesse a público muita matéria histórica para enriquecer a existência da aldeia. Nas guerras liberais e absolutistas derivaram diversas constituições para regular a actividade da nação. Nessa altura, exisitia umas força de segurança na aldeia,denominada Cabos de Polícia de Alvafozes, uma espécie de xerifes do Oeste americano, s quais apenas juraram uma constituição, breve aliás, de Abril 1828 a Fevereiro 1829. Em Portugal, um cabo de polícia era um cidadão designado para auxiliar um regedor de freguesia na sua função de agente local de autoridade de segurança. Os cabos de polícia eram escolhidos de entre os cidadãos da respetiva freguesia, estando inicialmente prevista a designação de um por cada oito fogos familiares. Não eram regularmente remunerados pelo exercício das suas funções, só recebendo percentagens de algumas multas cobradas.
Durante o período da Monarquia Constitucional, os cabos de polícia constituiram praticamente a única força policial na maioria do território português, uma vez que, inicialmente, só Lisboa e Porto dispunham de corpos policiais profissionais, as guardas municipais. Apesar de várias vezes planeada, a criação de forças policiais profissionais que cobrissem todo o território obteve sempre resistências políticas, uma vez era vista por alguns setores da sociedade, como uma ameaça às liberdades e garantias dos cidadãos. Por outro lado, dadas as suas caraterísticas de polícia cidadã, os cabos de polícia eram vistos como tendo bastantes limitações em termos de eficiência policial, obrigando as autoridades civis a recorrerem a destacamentos do exército sempre que ocorriam situações de maior gravidade em que era necessário o uso da força pública. A partir de 1867, com a criação dos Corpos de Polícias Civis nas capitais de distrito, os cabos de polícia perderam substancialmente a importância no policiamento dos grandes centros urbanos. Continuaram contudo a ser a principal força policial presente nas regiões rurais.
Os cereais, por força das imposições políticas a partir da Lei da Forme, como já assinalei, incrementou a sementeira dos grãos para o fabrico do pão. Quem passasse pela Tapada das Naves, por exemplo, veria imensos medas de trigo parecidas com cubatas africanas no seu formato, com toneladas de cereiais para esbullhar, à força de braços nos períodos mais difíceis que não permitiam o aluguer de uma máquina debulhadudora para separar os grãos da palha. Sobreiros e azinheiras foram arrasadas, ficando menos cortiça para vender e exportar e também as bolotas para os porcos roerem aquando da queda do precioso vegetal que alimentou toda a gente antes da chegada da batata do Novo Mundo.
Aquando das colheitas e medidos os alqueires, uma medida de origem árabe e com uma capacidade de mais ou menos 8,7 litros, havia que pôr as contas em dia. Um alqueire para pagar a dívida das sementes e depois uma desta medidada para a Misericórdia, para o padre, para o ferreiro, para o barbeiro e a uns quantos consoante a dívida na loja de fornecimento de bens durante o Inverno. Aqueles cujo trabalho da ceifa não compensava ou não abundava na Beira Baixa, e nomeadamente em alcafozes, migravam para o Alentejo em ranchos de "ratinhos" para os latifúndios de Elavas, Évora, Portalegre e outros. Estes eram (mal) remunerados em dinheiro e não necessitavam de pagar as dívidas em alqueires.
O "LEQUE" nos anos 60
Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...
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Apesar de constar nas vias romanas de há 2 mil anos, conforme o atestam os marcos miliares encontrados da aldeia e, actualemente, espalhad...
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À primeira vista as caganitas das cabras e os cagalhões das pessoas nada têm em comum. Contudo, com um bocadinho de jeito a merda é a mesma....
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A primeira recordação de uma longa viagem com ela aconteceu na visita anual à Beira Baixa, província de onde é natural a minha família. Teri...





