Era um domingo de sol quente de Outono. Fui ao Estádio da Luz ver o jogo entre o Benfica e o Sporting. O meu clube ganhou esse encontro por 4-1, com 4 golos do fenomenal Eusébio. Fui radiante para casa, como é evidente. Não estava ninguém. Os meus pais tinham ido dar o passeio domingueiro. Quando ia comer pão com manteiga, aquele pão escuro tão saboroso daquela época, tocou o telefone. Estranhei. Ainda me lembro do número: 362862. Atendi.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
A ODISSEIA DE UMA VIAGEM FÚNEBRE PARA ALCAFOZES
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS DORES
A capela foi construída no século XVIII, refletindo as características arquitetônicas da época barroca. Apresenta uma fachada simples, mas elegante, com elementos típicos do barroco português, como altares decorados e azulejos. Nossa Senhora das Dores é venerada como a padroeira dos aflitos, e a capela se tornou um local de peregrinação para os fiéis da região.
Era a capela onde as grávidas iam rezar, para que tivessem um parto normal e com menos DORES possíveis. No seu interior, só tem um pequeno altar com a imagem da Sª das Dores. Está sempre fechada, e só é aberta uma vez por ano no período da Quaresma, para arejar e limpar.
A capela de Nossa Senhora das Dores (Foto e investigação de João Rolo)
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
O MEU AVÔ NO ASSASSINATO DE SIDÓNIO PAIS
Noite cálida numa pequena aldeia da Beira Baixa. Alcafozes. Um logradouro fundado por romanos, mais ou menos no século I, onde se pastoreavam vacas, cabras e ovelhas. Era comum nas férias grandes passar horas à conversa com o meu avô Joaquim. Sentados no solar da porta, nas tradicionais cadeiras de verga, ouvia as suas palavras, bebia os seus conhecimentos e registava as suas memórias. Até aos meus 18 anos, altura em que o meu avô faleceu, foi ele quem moldou o meu carácter para sempre. Espinha direita, verticalidade e desassombro foram os dogmas que me transmitiu. Impunha-se pela sua figura imponente e carismática, não necessitando sequer de botar palavra para todos à volta se submeterem a uma postura de reverência quase religiosa. Era como um alcaide no seu castelo. Sentia-me seguro perto dele. Ali ninguém me incomodava física ou psicologicamente. Um olhar dele bastava para afastar qualquer veleidade de disputa.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
A CASA DOS MEUS AVÓS
Esta é a casa original dos meus avós, onde entrei pela primeira vez aos seis meses de idade. Quando, mais velho, tomei consciência do que me rodeava, esta era a casa dos meus sonhos. Aquela pela qual eu aguardava um ano para ali passar a quase totalidade do mês de Setembro. Como não tenho uma foto da casa nessa época, o filho da mãe que mas roubou que as coma ao pequeno-almoço em vez de flocos, pintei este quadro que a reproduz quase, na sua essência, inspirada fielmente da memória que perdura, dos muitos detalhes que recordo, dos cheiros que aromam o imaginário.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
A VIAGEM LISBOA-ALCAFOZES nos anos 50
A primeira recordação de uma longa viagem com ela aconteceu na visita anual à Beira Baixa, província de onde é natural a minha família. Teria eu uns 4 ou 5 anos. O despertar para essa verdadeira epopeia iniciava-se muito cedo. Às 2h30 ou 03h00 da madrugava já os meus pais me chamavam para levantar da cama. Ainda ensonado, mas muito excitado pelo acontecimento que me aguardava, seguia-se a lavagem o pequeno-almoço quando ainda os galos não cantavam, os últimos acertos e retoques da bagagem e, finalmente, a ida para a estação de Santa Apolónia. O comboio para a Beira Baixa partia da Linha 2 às 07h35. Naquele tempo, finais dos anos 50, as composições eram uma longa fila de carruagens de I, II e III classe. Eu ficava fascinado com aqueles "monstros" sobre carris e o cheiro que deles emanava. O meu Pai, nessa altura, só tinha 15 dias de férias e seguia mais tarde de carro, a tempo de convivermos todos nas festas anuais de Nossa Senhora do Loreto. Portanto, este trajecto obrigatório de inícios de Setembro fazia-se sem ele, mas com a minha Mãe, as minhas tias e o meu primo. Mal o comboio se punha em movimento eu queria era ir pendurado à janela. Não havia ainda aquelas modernices do ar condicionado e sentir o vento na cara, ouvir o roncar da locomotiva diesel e observar aquela longa extensão de carruagens nas curvas deixavam-me extasiado. A minha Mãe estava sempre a puxar-me para dentro, não só por questões de segurança, mas também para não ficar todo mascarrado com as partículas de fumo ejectadas pela locomotiva. E logo ela que queria sempre tudo muito limpo, fosse em que circunstâncias fosse.
Passadas as estações de Vila Franca de Xira, Santarém, Abrantes, já quando o comboio seguia paralelo ao rio Tejo e se vislumbrava o majestoso castelo de Almourol era hora da abrir o saco da merenda. E como sabiam bem as sandes de carne assada, os pastéis e as pataniscas de bacalhau ou os carapaus fritos.De quando em vez lá ia a minha Mãe buscar-me por uma orelha à varanda da carruagem, muito parecida com aquelas que se vêm nos filmes do Far-West. Quer dizer que chegava a Castelo Branco com as minhas pobres orelhas em brasa...
Na capital da Beira Baixa, o calor já apertava bastante às 12h30. Aí, uma camioneta de passageiros levava-nos para a garagem central da empresa de transportes de passageiros Martins-Évora. Havia que esperar pela ligação rodoviária entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova. Eu ficava esbaforido com o calor e lembro-me da senhora que vendia bananas e comia uma ou duas.
Mas ainda havia que fazer o percurso de Idanha-a-Nova para Alcafozes, numa relíquia das estradas que era a vetusta Ford, apenas com uma porta ao meio, a arrastar-se e a fumegar do radiador pelo caminho de terra e saibro até chegarmos, já quase ao pôr-do-sol, a Alcafozes, o nosso destino.
À entrada da aldeia estava sempre a minha avó à nossa espera, às vezes com um jerico pela rédea para ajudar a levar as malas e bagagens até à casa construída pelo meu avô Joaquim.
Ainda nem sequer tinha entrado em casa e já andava a correr atrás das galinhas e, obviamente, a minha Mãe, mais uma vez, a puxar-me as orelhas e a enfiar-me numa bacia de água para me lavar no final daquela longa maratona.
Uffff!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
O BURRO "SÓCIO" DO MEU AVÔ "ESTROINA"
O "Sócio" foi o último burro do meu avô Joaquim Matos Rolo. Mas a conotação humana de burro não se aplica, de modo algum, ao "Sócio", o dito. Esperto e discreto, nada burro o solípede. O "Sócio" era o jipe 4x4 do meu avô Joaquim Matos Rolo. Um burro ruço, mas não soviético e muito menos pertencente à ortodoxia com a sua capital em Moscovo, no Kremelin, apenas um questão de coloração do pêlo.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
LOBISOMENS, BRUXAS e MÁ-HORA ao SERÃO
Noite de Verão. Está escuro como é próprio da falta de luar. Ainda não chegou a luz eléctrica à aldeia recôndita da Beira Baixa. O bafo do calor diurno não se diluiu ainda. Só atenuará um pouco quando chegar a madrugada. Dentro da casa de dois andares, uma luz mortiça de uma candeia bruxeleia e confere ao ambiente uma soturna dança de sombras, idênticas às que serpenteiam através dos biombos chineses. São enormes, ameaçadoras, intimidantes.
O "LEQUE" nos anos 60
Já assisti, por várias vezes, gente mais nova de Alcafozes perorar sobre como seria o "Leque" em tempos que já lá vão. Há poucas...
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Apesar de constar nas vias romanas de há 2 mil anos, conforme o atestam os marcos miliares encontrados da aldeia e, actualemente, espalhad...
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À primeira vista as caganitas das cabras e os cagalhões das pessoas nada têm em comum. Contudo, com um bocadinho de jeito a merda é a mesma....
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A primeira recordação de uma longa viagem com ela aconteceu na visita anual à Beira Baixa, província de onde é natural a minha família. Teri...






